Bárbara Eugênia - O Tempo from Bárbara Eugênia on Vimeo.
O vírus da melancolia se espalhou entre os artistas da novíssima música brasileira. Aparece em variados tons, como no indie-sambinha feito por Marcelo Camelo, na bossa-rock de Nina Becker, no folk-florido de Tiê e na psicodelia-tropical do Cidadão Instigado. E, agora, na voz rouca da morena Bárbara Eugênia. Com rosto delicado e jeito de menina, a carioca desfaz-se do estereótipo de cantora fofa num rock visceral, à la PJ Harvey, registrado em seu primeiro álbum, “Journal de BAD” lançado em 2010 e que vai além, muito além, do grupo de adjetivos tolos que insistem em rondar as chamadas “novas cantoras”.
Nele, a cantora fala sobre rompimentos, decepções e vaivéns do amor, em letras que assume serem autobiográficas –ainda que algumas ganhem “floreios”. Assim, o disco abre com “Agradecimento”, ao ex-marido, cuja separação levou-a a deixar o Rio há cinco anos. “A Chave” trata de típica reação masculina: a do rapaz que foge quando a moça fala de casamento. Nada como saber rir sobre a causa de nossas tristezas. Suas confissões são embaladas por rockinhos de todas as nuances, do iê-iê-iê a Tropicália e do rock francês ao italiano. Nessa jornada, ela segue em companhia de Tom Zé — com quem divide os vocais em “Dor e Dor”-, Otto, Pupillo e Dengue (Nação Zumbi), Junio Barreto, Karina Buhr e Tatá Aeroplano.
Aos produtores Jr. Bocca e Dustan Galas, coube criar para cada faixa um clima diferente – indo da fossa total de “Dos Pés” à lisérgica “Drop the Bombs”. A atmosfera que envolve a música da Bárbara lembra coisas delicadas, românticas e, ao mesmo tempo, um rock daqueles Cantar é importante, mas ter algo a dizer éhttp://www.blogger.com/img/blank.gif mais importante ainda.
Seu caminho começou a se desenhar em 2007, ao encontrar o produtor Apollo 9, que a chamou para cantar na trilha sonora do filme “O Cheiro do Ralo”, de Heitor Dhalia. Em seguida, participou de um projeto do guitarrista Edgar Scandurra interpretando músicas de Serge Gainsbourg e dos shows do 3NaMassa. Devidamente enturmada, Barbara pôde, enfim, abrir o coração. Bem longe da bossa.
E o melhor vem agora: o primeiro show em solos cariocas de Bárbara Eugênia será ao lado da Festa Pitada, no dia 09 de dezembro (sexta que vem!), no Rival +Tarde. Espalhem por aí e mandem seus nomes para lista@pitada.org para pagar R$ 20 de entrada. Vai ser elegante!
3.12.11
Uma pitada de Bárbara Eugênia.
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Bárbara Eugênia
27.11.11
Justice: corajoso e divertido.
Quem pode fazer mais barulho que o Justice? Essa foi uma das perguntas mais frequentes do mundo da música nos últimos 4 anos, desde o lançamento de “†”. A dupla francesa http://www.blogger.com/img/blank.gifformada por Xavier de Rosnay e Gaspard Augée acabou virando o padrão pelo qual se media a intensidade de qualquer disco lançado nesse período. E de fato, praticamente ninguém falou tão alto nesses últimos tempos quando a dupla. A violência crua de “Waters of Nazareth”, “Phantom” e “Stress” chegaram a níveis estratosféricos ao vivo, em uma apresentação que seria impossível de esquecer por todos que estiveram lá, ungidos na coletividade do barulho evangélico. Como falar mais alto que isso?
A dupla deve ter coçado muito a cabeça para responder essa pergunta. Na realidade, nem o Justice consegue falar mais alto que o Justice de “†”. Inteligentemente, os franceses mudaram de tática. Xavier e Gaspard compuseram um disco que prima pela composição em primeiro lugar. A experiência com barulho sintetizado e distorção entra na história como mais um dos elementos da paleta sonora dos dois produtores. Sai o electro banger, entra prog-rock com timbragens eletrônicas, em faixas com influência de bandas como King Crimson, Yes, Emerson, Lake & Palmer, Led Zeppelin e Black Sabbath.
Em “Audio,Vídeo,Disco”, Xavier e Gaspard se posicionam como músicos, acima de tudo. O miolo do disco traz várias faixas instrumentais que funcionam como um display brilhante de neon das capacidades de composição da dupla. Arranjos rebuscados em escalas barrocas (a música de câmara tradicional europeia é uma outra grande influência da dupla que salta aos ouvidos no disco), solos de guitarras e sintetizadores que não perdem em nada para grandes clássicos da história do rock, produção cristalina, harmonias vocais, a capacidade de juntar diversos tipos de sonoridades, tanto analógicas e tradicionais quanto digitais e inovadoras, em composições com início, meio e fim… Enfim, um banho de técnica.
Há quem diga que isso tudo é uma grande masturbação e, de fato, frente ao arroubo pop e electro de “†”, pode até se dizer que sim. O disco tem até seus momentos mais imediatos, como “Newlands” e a faixa título, mas fica uma ligeira sensação de que falta um outro par de hits, um pouquinho mais daquela descarga elétrica de 220v que foi “†” e a apresentação ao vivo. Para os desavisados, pode até parecer outra banda.
Se “Audio,Video,Disco” diz alguma coisa sobre o Justice é que a dupla definitivamente não é um embuste. Os dois franceses já haviam subvertido a fórmula em 2007 e se distanciam novamente de toda a legião de artistas seguidores com um disco corajoso e divertido. Talvez os próximos shows não sejam tão inflamados quanto os anteriores, mas falar mais alto não significa ter mais o que dizer.
Justice - Helix by Xavclaire
Justice - Newlands by FranklinP
A dupla deve ter coçado muito a cabeça para responder essa pergunta. Na realidade, nem o Justice consegue falar mais alto que o Justice de “†”. Inteligentemente, os franceses mudaram de tática. Xavier e Gaspard compuseram um disco que prima pela composição em primeiro lugar. A experiência com barulho sintetizado e distorção entra na história como mais um dos elementos da paleta sonora dos dois produtores. Sai o electro banger, entra prog-rock com timbragens eletrônicas, em faixas com influência de bandas como King Crimson, Yes, Emerson, Lake & Palmer, Led Zeppelin e Black Sabbath.
Em “Audio,Vídeo,Disco”, Xavier e Gaspard se posicionam como músicos, acima de tudo. O miolo do disco traz várias faixas instrumentais que funcionam como um display brilhante de neon das capacidades de composição da dupla. Arranjos rebuscados em escalas barrocas (a música de câmara tradicional europeia é uma outra grande influência da dupla que salta aos ouvidos no disco), solos de guitarras e sintetizadores que não perdem em nada para grandes clássicos da história do rock, produção cristalina, harmonias vocais, a capacidade de juntar diversos tipos de sonoridades, tanto analógicas e tradicionais quanto digitais e inovadoras, em composições com início, meio e fim… Enfim, um banho de técnica.
Há quem diga que isso tudo é uma grande masturbação e, de fato, frente ao arroubo pop e electro de “†”, pode até se dizer que sim. O disco tem até seus momentos mais imediatos, como “Newlands” e a faixa título, mas fica uma ligeira sensação de que falta um outro par de hits, um pouquinho mais daquela descarga elétrica de 220v que foi “†” e a apresentação ao vivo. Para os desavisados, pode até parecer outra banda.
Se “Audio,Video,Disco” diz alguma coisa sobre o Justice é que a dupla definitivamente não é um embuste. Os dois franceses já haviam subvertido a fórmula em 2007 e se distanciam novamente de toda a legião de artistas seguidores com um disco corajoso e divertido. Talvez os próximos shows não sejam tão inflamados quanto os anteriores, mas falar mais alto não significa ter mais o que dizer.
Justice - Helix by Xavclaire
Justice - Newlands by FranklinP
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Justice
14.11.11
Mixtape = Música para cozinhar.
O RIOetc Musical primaveril está no ar, servido em jarras e brisas mornas e, cada vez mais, saboreado pelos ouvidos.
Imaginem um mundo em que o nosso cotidiano fosse sonorizado, e não me refiro a solitários iPods socados nas orelhas e baixas compressões de MP3. Que tal um mundo em que um DJ supremo e onipresente – tal como em “Deus é um DJ?”, de Falk Richter -, do alto não sei de onde, sempre acertaria na música e, ao pedalarmos na Lagoa, curtirmos a praia na Garcia, caminharmos nas Paineiras, papearmos no BG, namorarmos no Jardim Botânico, acordarmos na feirinha da Glicério, estaríamos envoltos e acompanhados daquela trilha ideal para aquele momento específico.
Trilhas para esvaziar a cabeça, para ouvir alto e animado, para colocar as idéias em prática, para manter o pique, para transformar momentos simples em lembranças únicas, para quebrar o gelo, para curtir juntinho, para um belo café da manhã, para aquele banheira demorada. Música para acompanhar você durante todo o caminho.
Esta primeira trilha serviu como música para os chefs-camaradas Rafael Doria e Vitor Lassance colocarem aquele tempero extra em um almoção de sábado lá em casa para os amigos. Uma trilha cheia de aromas, sabores e ritmos crocantes, picantes e preguiçosos.
Diga-nos se a trilha inspirou uma receita exótica e também para qual momento você gostaria que fosse a próxima trilha da coluna RIOetc Musical.
01 Pitada para cozinhar by Pitada
01 / Laisse Tomber Les Filles / France Gall
02 / Assim Assado / Secos & Molhados
03 / Ugo In Love / Rabih Abou-Khalil
04 / Populi / Cos
05 / Sindiza Ngecadillacs / Miriam Makeba
06 / The Millionaire / Palhaço Carequinha
07 / J.A.N. (Jive Ass Niggaz) / Quasimoto
08 / Ritmo / Brazilian Octopus
09 / Cavaleiro de Aruanda / Ronnie Von
10 / Minha Felicidade Racional / Tim Maia
Imaginem um mundo em que o nosso cotidiano fosse sonorizado, e não me refiro a solitários iPods socados nas orelhas e baixas compressões de MP3. Que tal um mundo em que um DJ supremo e onipresente – tal como em “Deus é um DJ?”, de Falk Richter -, do alto não sei de onde, sempre acertaria na música e, ao pedalarmos na Lagoa, curtirmos a praia na Garcia, caminharmos nas Paineiras, papearmos no BG, namorarmos no Jardim Botânico, acordarmos na feirinha da Glicério, estaríamos envoltos e acompanhados daquela trilha ideal para aquele momento específico.
Trilhas para esvaziar a cabeça, para ouvir alto e animado, para colocar as idéias em prática, para manter o pique, para transformar momentos simples em lembranças únicas, para quebrar o gelo, para curtir juntinho, para um belo café da manhã, para aquele banheira demorada. Música para acompanhar você durante todo o caminho.
Esta primeira trilha serviu como música para os chefs-camaradas Rafael Doria e Vitor Lassance colocarem aquele tempero extra em um almoção de sábado lá em casa para os amigos. Uma trilha cheia de aromas, sabores e ritmos crocantes, picantes e preguiçosos.
Diga-nos se a trilha inspirou uma receita exótica e também para qual momento você gostaria que fosse a próxima trilha da coluna RIOetc Musical.
01 Pitada para cozinhar by Pitada
01 / Laisse Tomber Les Filles / France Gall
02 / Assim Assado / Secos & Molhados
03 / Ugo In Love / Rabih Abou-Khalil
04 / Populi / Cos
05 / Sindiza Ngecadillacs / Miriam Makeba
06 / The Millionaire / Palhaço Carequinha
07 / J.A.N. (Jive Ass Niggaz) / Quasimoto
08 / Ritmo / Brazilian Octopus
09 / Cavaleiro de Aruanda / Ronnie Von
10 / Minha Felicidade Racional / Tim Maia
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RIOetc Musical
5.11.11
O toque de Mallu Magalhães.
Desde o surgimento de Mallu Magalhães como fenômeno na internet já se passaram 4 anos. Na época, Mallu tinha uma imagem de garota confusa, aquela introspecção desajeitada bem comum a muitos prodígios. A pergunta que muitos se faziam era se Mallu era de fato uma garota com muitas qualidades que estavam prestes a desabrochar ou se ela era só esquisita mesmo. Depois de dois discos, a resposta começou a ficar mais clara.
“Pitanga”, o terceiro LP de Mallu, é um reflexo do amadurecimento da sua autora, tanto como mulher quanto como compositora. O disco de 12 faixas teve o processo de gravação amplamente documentado por Mallu em seu blog e, como a própria sempre diz em entrevistas, “a música contida no trabalho reflete seus sentimentos no período”. E ao ouvirmos “Pitanga” enxergamos apenas uma coisa: a garota está apaixonada.
Sim, Mallu respira, compõe e canta Marcelo Camelo. Da sua forma inocente e brincalhona, a garota canta um sentimento puro e bonitinho em frases como “olha só moreno do cabelo enroladinho/vê se olha com carinho pro nosso amor/eu sei que é complicado amar tão devagarinho/e eu também tenho tanto medo”. Em outras, Mallu mostra uma entrega não tão juvenil cantando coisas como “quero me bordarhttp://www.blogger.com/img/blank.gif em você/quero virar sua pele/quero fazer uma capa/quero tirar sua roupa”. E assim o disco segue com infinitas juras de amor da apaixonada Mallu.
A relação estreita dos dois fica ainda mais clara na sonoridade de “Pitanga”. Camelo assina a produção do disco e muitas das faixas têm arranjos que caberiam perfeitamente dentro de “Ventura” – a pérola do Los Hermanos -, ou em seu recente disco solo “Toque Dela“. Camelo talvez seja o pai do “indie-sambinha”, tão em voga nos dias de hoje e que também está presente na música de Mallu. Além do samba de menino branco da PUC, Camelo traz para o disco arranjos de metais melódicos e emotivos e uma sensibilidade para pequenos detalhes que fazem o disco uma delícia para se ouvir em fones de ouvido. Mas não é como se Camelo fizesse deste um disco do Los Hermanos com uma convidada especial. Outros detalhes de produção criam um clima pueril e lúdico, que ainda faz parte do universo de Mallu. Outros detalhes tornam o disco ainda mais dela, como as letras meio em inglês, meio em português, os banjos, escaletas e os assovios.
Sobre a parte musial que cabe à moça, tudo está nos conformes. As composições são delicadas e sensíveis. Os vários instrumentos tocados por Mallu se combinam em momentos bonitos. Se há alguma coisa a reclamar do disco é que algumas músicas são extremamente curtas. Existem boas ideias que poderiam ser exploradas com mais desenvoltura e criar resultados mais acachapantes. O disco tem 12 músicas e apenas 32 minutos de duração. Isso ainda denota um pouco de insegurança.
Mas pequenos deslizes à parte, “Pitanga” é muito gostoso. Estaremos diante da nossa versão tupiniquim do século XXI de Yoko Ono/John Lennon, June Carter/Johnny Cash, Elis Regina/Ronaldo Bôscoli e outros tantos casais que entraram para a história fazendo música juntos? Contanto que o relacionamento não se torne um caos à la Ike/Tina, o futuro parece promissor para a parceria.
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Mallu Magalhães
29.10.11
Screamadelica demais!
Em momento de distorção de conceitos, o zumbido nos ouvidos serve de lembrança: às vezes basta só um palco, só uma banda, só um disco e mais nada. Isso foi o suficiente, por exemplo, para que o Circo Voador vivesse uma noite sem igual com a estrondosa apresentação do Primal Scream, tocando o clássico disco “Screamadelica” na íntegra. Foi um daqueles raríssimos casos em que tudo contou a favor: o som (alto e claro), a luz (precisa e climática), as projeções (hipnóticas e envolventes) e, acima de tudo, a arrepiante interação entre banda e público. Não vai ser fácil esquecer o que aconteceu ali!
A história é mais do que conhecida. Para comemorar os 20 anos bem vividos de “Screamadelica”, Bobby Gillespie e companhia pegaram a estrada em 2010 para celebrar esse fato raro: o rejuvenescimento de um disco que soa, a cada dia, mais atual. Eu diria mais até do que um outro clássico do mesmo período, “Nevermind”, do Nirvana. E o desembarque dessa turnê no Rio teve um toque especial, um tapete vermelho estendido pelos próprios fãs, que se mobilizaram para trazer o grupo à cidade.
O grupo fez a sua parte no acordo: chegou e tocou. E como tocou!. “Movin´ on up” abriu o show, seguida pela ultragrooveada “Don´t fight, feel it”, como cartões de visita mais que perfeitos para o que viria pela frente, da incrível história que seria contada em cerca de 1h30m de show: rock anos 60 de mãos dadas com o rock anos 80, abençoado pelo gospel e magicamente alterado pela psicodelia, a eletrônica e, principalmente, o dub.
À frente de tudo, Gillespie, a mais cool das figuras, um frontman sem afetações, naturalmente carismático, fazendo a ponte entre banda e público, como um Mick Jagger minimalista. Em torno dele, o desfile de “Screamadelica”: da floydiana “Higher than the sun” ao balanço stoniano de “Loaded”, com backing vocals da plateia, culminando com a consagração apoteótica de “Come together.”
Quando a banda voltou para o bis, encerrado com a furiosa “Rocks”, o Primal Scream e o Circo já estavam, enfim, “juntos como um só”. Não por acaso, depois do show, ao saber no camarim como tinha sido a iniciativa para trazer a banda ao Rio, Bobby Gillespie se deixou contagiar mais um pouco e, impressionado, resolveu sair dali para ir ao encontro dos fãs, terminando a noite – e que noite! – autografando cartazes do show, ao lado dos banheiros. E é assim que tem que ser.
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Primal Scream
22.10.11
CSS solta as amarras!
No exato momento em que pensava em escrever esta coluna, a banda paulistana com sotaque estrangeiro CSS fazia um desses shows-dentro-de-loja na incrível Rough Trade East, em Londres: o mais charmoso, elegante e importante endereço para comprar disco (entre outras coisas) no planeta. (Tá bom! A Other Music, em NYC, tem seu valor, mas…)
“La Liberación”, o terceiro álbum, que foi do streaming na íntegra no site da Bíblia musical “Spin” ao total vazamento em dois dias, foi lançado oficialmente no final de agosto no Reino Unido e nos EUA. Como não sei mais como funciona lançamento de disco no Brasil, então nem cito quando será por aqui.
A verdadeira “prova dos três” de sua explosiva carreira, o terceiro disco do CSS chegou levantando aquela dúvida básica: o álbum estaria mais próximo do frescor entusiasmante do primeiro disco ou do apedrejado segundo trabalho? A reação inicial está mista: mais para “CSS realmente não dá mais” do que “CSS recuperou a energia do primeiro disco”. Nem sei se é o caso de pensar assim, na verdade.
Ouvi o disco com carinho duas vezes e curti “La liberación”. É evoluído e inconsequente na medida certa, dentro do que se espera de uma banda que nem o CSS. Está cheio de piano no disco! Um disco do CSS, pasmem! A inspiração veio do camarada Diego dos Anjos, que é irmão da tecladista e guitarrista da banda, Ana Rezende, e criativo-nativo das 88 teclas. Mandaram bem com o álbum começando com uma mensagem fofa, “I Love You”, e terminando no quebra-quebra com “Fuck Everything”. Os dois lados de “La liberación” não param por aí. O disco consegue juntar duas músicas boas que soam, hmmm…, Pavement (“Ruby Eyes”) e Britney Spears (“City Girrl”), sem parecer um disparate.
Mas enfim.
Para não soar enviesado, vejam aí como foi a recepção do disco novo da banda brasileira pelo olhar estrangeiro, em especial o dos Lads, que fizeram a banda estourar em 2007:
- “New Musical Express” – Nota 5 (de 10). Lembra em 2006, quando o CSS veio, viu e dominou nossas festas? Bem, sorry galera, mas não estamos mais em 2006.
- “The Independent” – Nota 4 (de 5). Depois de uma relativa decepção com o disco de 2008, “Donkey”, este “La Liberación” entrega um serviço muito melhor na mistura do amadorismo débil da banda no estilo X-Ray Spex com sua estilosa personalidade.
- “Clash” – Nota 6 (de 10). Diz que o disco começa mal, mas vai “pegando” no entusiasmo, à medida que a banda vai injetando sua conhecida energia. Pode ser um disco irregular, mas não é o “Donkey”.
- “Observer/Guardian” – Nota 2 (de 5). O jornalzaço inglês fala que “La Liberación” é melhor em seus momentos calmos, tipo “Partners in Crime”, enquanto músicas revoltadinhas, tal como a que encerra o disco “Fuck Everything”, soam forçadas.
- “Q” – Nota 2 (de 10). Falta de imaginação.
Com o supramencionado show inaugural que rolou na Rough Trade, o CSS começou sua turnê de 2011 para valer. Serão 30 shows entre Europa e EUA. Como não sei mais como funciona lançamento de disco no Brasil, então nem cito quando será por aqui (de novo).
Um pouco do que rolou foi o seguinte.
A Pitada vai convidar o CSS para um showzinho de verão daqueles no Rio de Janeiro. O que vocês acham do show balançar o Circo Voador?!
“La Liberación”, o terceiro álbum, que foi do streaming na íntegra no site da Bíblia musical “Spin” ao total vazamento em dois dias, foi lançado oficialmente no final de agosto no Reino Unido e nos EUA. Como não sei mais como funciona lançamento de disco no Brasil, então nem cito quando será por aqui.
A verdadeira “prova dos três” de sua explosiva carreira, o terceiro disco do CSS chegou levantando aquela dúvida básica: o álbum estaria mais próximo do frescor entusiasmante do primeiro disco ou do apedrejado segundo trabalho? A reação inicial está mista: mais para “CSS realmente não dá mais” do que “CSS recuperou a energia do primeiro disco”. Nem sei se é o caso de pensar assim, na verdade.
Ouvi o disco com carinho duas vezes e curti “La liberación”. É evoluído e inconsequente na medida certa, dentro do que se espera de uma banda que nem o CSS. Está cheio de piano no disco! Um disco do CSS, pasmem! A inspiração veio do camarada Diego dos Anjos, que é irmão da tecladista e guitarrista da banda, Ana Rezende, e criativo-nativo das 88 teclas. Mandaram bem com o álbum começando com uma mensagem fofa, “I Love You”, e terminando no quebra-quebra com “Fuck Everything”. Os dois lados de “La liberación” não param por aí. O disco consegue juntar duas músicas boas que soam, hmmm…, Pavement (“Ruby Eyes”) e Britney Spears (“City Girrl”), sem parecer um disparate.
Mas enfim.
Para não soar enviesado, vejam aí como foi a recepção do disco novo da banda brasileira pelo olhar estrangeiro, em especial o dos Lads, que fizeram a banda estourar em 2007:
- “New Musical Express” – Nota 5 (de 10). Lembra em 2006, quando o CSS veio, viu e dominou nossas festas? Bem, sorry galera, mas não estamos mais em 2006.
- “The Independent” – Nota 4 (de 5). Depois de uma relativa decepção com o disco de 2008, “Donkey”, este “La Liberación” entrega um serviço muito melhor na mistura do amadorismo débil da banda no estilo X-Ray Spex com sua estilosa personalidade.
- “Clash” – Nota 6 (de 10). Diz que o disco começa mal, mas vai “pegando” no entusiasmo, à medida que a banda vai injetando sua conhecida energia. Pode ser um disco irregular, mas não é o “Donkey”.
- “Observer/Guardian” – Nota 2 (de 5). O jornalzaço inglês fala que “La Liberación” é melhor em seus momentos calmos, tipo “Partners in Crime”, enquanto músicas revoltadinhas, tal como a que encerra o disco “Fuck Everything”, soam forçadas.
- “Q” – Nota 2 (de 10). Falta de imaginação.
Com o supramencionado show inaugural que rolou na Rough Trade, o CSS começou sua turnê de 2011 para valer. Serão 30 shows entre Europa e EUA. Como não sei mais como funciona lançamento de disco no Brasil, então nem cito quando será por aqui (de novo).
Um pouco do que rolou foi o seguinte.
A Pitada vai convidar o CSS para um showzinho de verão daqueles no Rio de Janeiro. O que vocês acham do show balançar o Circo Voador?!
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CSS
15.10.11
Ladytron e suas criaturas.
Quando o Ladytron surgiu, em 1998, a onda ‘revival’ do synth-pop e de seu lado escuro – a Cold Wave – ainda não era a moda vigente. Hoje, passados 13 anos, muitas são as bandas que projetam no grande muro que é a música os slides restaurados de imagens de 25, 30 anos atrás – dos radiofônicos arrumadinhos aos esquisitos do undergound. E entre eles há ainda o Ladytron.
O quarteto de Liverpool chega a seu quinto álbum de estúdio ainda com fôlego para correr atrás dessa nova leva de grupos e mostrar que pode deixá-los comendo poeira, retomando de certa forma o que começaram em seus dois primeiros discos (“604” e “Light & Magic”, de 2001 e 2002). Um retorno às origens e um distanciamento tanto da sonoridade mais roqueira de “Witching Hour”, de 2005, quanto do industrial “Velocifero”, de 2008.
“Gravity the Seducer” é um álbum que, apesar da aura gelada – presente em tudo que o Ladytron sempre fez –, é leve; não todo adocicado como pode parecer ouvindo sua primeira faixa, “White elephant”, algo como um híbrido de Carpenters e Abba, mas de uma forma geral é, sim, de fácil vício.
As coisas ficam realmente interessantes a partir da terceira música, “White gold”, que emula a citada Cold Wave e pistas de porões góticos, com vocais pra lá de frios, sintetizadores idem e beats lentos gerando uma canção densa, desesperada. Na sequência, dois momentos mais ‘UHUUUU!’, em “Gravity the Seducer”: “Ace of hz”, que está inclusive na pelada do joguinho Fifa 2011, e “Ritual”; a primeira bem pop e a segunda com cara de pós-rock à la Stereolab, instrumental como a ambient music de “Transparent day” e a Kraftwerkiana “Aces high”.
“Ambulances” é a prova de que o Ladytron não deve nada a seus pares mais jovens: é quase como o que se chama de witch house: meio etérea, meio fantasmagórica, mas com contornos próprios; e precede o hit em potencial “Melting ice”, híbrido entre chiclete e pedra de gelo, outra marca da banda nesses anos de carreira.
O adjetivo para “Gravity the Seducer” parece ser melancolia. Esse sentimento aliado a sua produção retrofuturista o torna um trabalho sombrio, feito para dias de inverno em que o céu pode até estar azul, mas com a temperatura próxima de zero. Sem dúvida será sucesso em baladas criativas dos inferninhos cariocas e paulistanos que tanto amamos.
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Ladytron
8.10.11
Que venha 2013!

O peso do Metallica, a versatilidade de Stevie Wonder e a emoção do Coldplay. Os sete dias do Rock in Rio foram repletos de grandes shows e de algumas apresentações que não fizeram jus ao preço do ingresso. Foram cerca de 160 atrações, com as animadíssimas e emocionadíssimas 700 mil pessoas marcando o festival também fora dos palcos.
As sensações:
O show do Metallica no terceiro dia do Rock in Rio foi tão bom que a própria banda não queria deixar o palco, mesmo após tocar por mais de duas horas. Com um repertório irretocável, que misturou pedradas como “Master of Puppets” e “Enter Sandman” com faixas mais lentas como “Fade to Black” e “Nothing Else Matters”, a banda deixou as 100 mil pessoas presentes na Cidade do Rock com aquele largo sorriso no rosto.
Stevie Wonder entrou na programação do Rock in Rio na última hora, quando a organização decidiu marcar uma sétima data para o festival. Sorte nossa: o show até começou morno, mas não demorou muito para esquentar. As baladas emocionantes como “You Are the Sunshine of My Life” e “My Cherie Amour” e os funks demolidores de “Superstition” e “I Wish” se sucederam. Mas o grande momento foi a versão de “Garota de Ipanema” com a multidão cantando junto.
O palco Sunset ficou pequeno para Erasmo Carlos e Arnaldo Antunes. A dupla reuniu um dos maiores públicos do local. E com justiça: o show foi memorável tanto com os dois juntos no palco como com cada um separadamente. Arnaldo interpretou músicas de seu mais recente disco, “Iê Iê Iê”, enquanto Erasmo misturou novidades como a ousada “Kamasutra” e clássicos como “Quero que Tudo Vá para o Inferno”. Juntos, eles fecharam com “Pode Vir Quente que Eu Estou Fervendo”. Dizê o quê?
Mesmo fazendo um show curto de 1h20 – o menor entre todos os headliners do palco Mundo -, o Coldplay foi emocionante. Agradou tanto tocando músicas do disco “Mylo Xyloto”, que só sai no final do mês, quanto tocando sucessos como “Yellow”, “Viva La Vida”, “Clocks” e “The Scientist”. Ainda acertou na homenagem a Amy Winehouse com “Rehab” e foi a atração que melhor aproveitou os efeitos de luz e som no festival. Coisa de quem sabe o que fazer bem e ao vivo.
Os coroas liderados pelo vovô Lemmy Kilmister – é surreal realizar que esse cara tem a idade do meu pai! -, mostraram que ainda têm peso e velocidade dignos de garotões no Rock in Rio. Foi uma verdadeira aula de rock, com lições como “Iron Fist”, “Going to Brazil” e, é claro, “Ace of Spades”. “Não nos esqueçam: somos o Motörhead e tocamos rock fucking roll!”, disse Lemmy ao final do show. Não há como não concordar com ele.
Se o Rock in Rio teve o seu dia de micareta, a responsável foi Ivete Sangalo. A cantora baiana fez o que sabe de melhor e fez o público sair do chão como nenhuma outra atração pop do festival. Ivete conseguiu até roubar a cena da principal atração daquela noite, Shakira. Quando as duas cantaram “País Tropical” juntas, a colombiana quase desapareceu ao lado da brasileira. Ivete foi a musa do festival!
O Skank não facilitou a vida de quem tocou depois deles no penúltimo dia do Rock in Rio. Foram tantos hits, e tocados com tanta paixão, que os artistas que se apresentaram logo em seguida não conseguiram levantar o público. Foram vários os momentos em que Samuel Rosa e companhia fizeram a Cidade do Rock toda cantar junto com eles: “É Uma Partida de Futebol”, “É Proibido Fumar”, “Três Lados”, “Vou Deixar”, “Vamos Fugir”… Estava difícil balançar só a perninha, fingindo não ser fã da banda.
Janelle Monáe provou que mesmo uma artista pouco conhecida pode conquistar a plateia do Rock in Rio. Basta ter um ótimo repertório, cantar muito bem, dançar melhor ainda e ter carisma de sobra. Até quem nunca tinha ouvido falar na cantora dançou músicas como “Cold War” e “Tightrope”. Na mesma noite, ela ainda fez uma participação especial no show de Stevie Wonder, cantando com ele “Superstition”, “As” e “Another Star”. Que beleza!
Apesar dos problemas no som – depois da quarta música, o volume caiu sensivelmente -, o System of a Down fez uma das apresentações mais pesadas do Rock in Rio. Sem firulas, sem trocas de roupa, sem cenário e sem espaço para solos: só rock. Foi uma performance digna de atração principal, até mesmo pela quantidade de fãs e pela duração do show, o maior entre os artistas que não fecharam o palco Mundo.
O show do Sepultura junto com os percussionistas do grupo Tambours du Bronx também ficou pequeno para o palco Sunset, tanto que roubou boa parte do público do Gloria, que tocava na mesma hora no palco Mundo. A apresentação fez o público bater cabeças ao som de clássicos como “Refuse/Resist” e “Territory” e uma pesada versão de “Firestarter”, do Prodigy. De brinde, uma participação especial de Mike Patton em “Roots Bloody Roots”. Um orgulho nacional!
E as decepções…
Difícil dizer o que foi mais errado no show de Ke$ha. A maguiagem estilo “Qual é a música?”, a alternância entre o excesso de efeitos na voz e o playback descarado, as coreografias e figurinos de péssimo gosto, a tentativa fracassada de parecer uma garota má: nada deu certo na apresentação da cantora americana. Pediu para sair.
O Snow Patrol ganhou o título de show mais apático do Rock in Rio 2011. Era para ser um show de rock, mas foi música para embalar o descanso do público. Nem a participação especial da brasileira Mariana Aydar em “Set the Fire to the Third Bar” conseguiu animar a plateia. Zzzzzz…
O vocalista Adam Levine pode até ter arrancado suspiros da maioria da plateia feminina, mas mesmo assim o show do Maroon 5 foi insosso e que ficou no vai-não-vai. Para piorar, o volume do som esteve muito baixo durante toda a apresentação, o que só aumentou a sonolência da plateia.
Entre todas as atrações do palco Mundo, o grupo brasileiro Gloria foi o que recebeu mais vaias. A banda exagerou na cara de mau para impressionar o público que estava lá por causa de Metallica, Motörhead e Slipknot, mas não conseguiu enganar ninguém. Ou conseguiu?
O Maná deu o azar de tocar logo depois do Skank, que fez um dos shows mais energéticos e cheios de hits do Rock in Rio. Em condições normais, o pop-sem-graça do grupo mexicano já não conseguiria empolgar a plateia. Tocando depois dos brasileiros, o resultado foi uma hora de tédio. Paes tem que pegar a Chave da Cidade de volta!
Com 2013 logo ali, o que importa mesmo é que o festival voltou para casa e com o elegante bordão lançado pela loba Christiane Torloni na cabeça: “hoje é dia de rock, bebê!”
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Rock In Rio
10.9.11
No labirinto de Rômulo Fróes.

Rômulo Fróes é um compositor que não se encaixa nas classificações de praxe. Admirado e citado pela nova geração de música alternativa “cabeça”, faz parte de um grupo de artistas que monta acampamento nas fronteiras desse país chamado música popular brasileira. Parceiro constante do escritor e artista plástico Nuno Ramos, Fróes trabalha com um núcleo pequeno de músicos. Juntos, constroem texturas sonoras apropriadas para as elípticas letras, onde coruscam rápidas citações de versos conhecidos da MPB, como cacos de vidro no meio da areia.
Mas é com a areia grossa das palavras cotidianas que Nuno, Fróes, Clima e Rodrigo Campos fazem suas edificações sonoras. Uma poesia embebida de estranhamento, que recusa o beletrismo e o romantismo barato. “Pedi pro santo, espanto e som/ ninguém ligou, é bom”. As frases musicais são sintéticas, moléculas musicais que formam melodias esquemáticas e pouco assobiáveis. Essa economia formal se encaixa com precisão na estrutura sonora, obrigando o ouvinte a prestar atenção no discurso aparentemente caótico, buscando sentidos.
A contribuição dos músicos não é pequena, no seu novo disco “Um Labirinto em Cada Pé”, lançado este ano. A guitarra tensa de Guilherme Held, o cavaquinho e a percussão de Rodrigo, o sax de Thiago França, o baixo flutuante de Marcelo Cabral e a bateria sem sotaque de Pedro Ito traduzem e completam o espírito de cada música. As intervenções suaves de Clara Becker atenuam a aspereza um tanto monocórdia da voz de Rômulo. Até a participação especial de Arnaldo Antunes na faixa “Rap em Latim” (de Nuno Ramos) soa natural, nesse universo de pequenas estranhezas.
Essa “nova música” está por aí, borbulhando nos trabalhos de uma turma de novas cantoras, de jovens compositores, concentrados no Rio e em Sampa (mas não só). Como traço comum, a negação ao formato música-pra-tocar-no-rádio. No velho rádio, bem entendido, porque criam a urgência de um novo rádio, de um novo ouvinte, de uma maneira diferente de consumir este secular produto chamado canção.
É como se a falência do produto disco, o tráfico incontrolável da música pela internet e a cansativa discussão sobre direito autoral soltasse as amarras criativas de uma geração. O que adianta fazer música “bonitinha”, enquadrada, se não vou ganhar nada com isso? Melhor então fazer a música que me der vontade, a rima que eu quiser, com o significado que minha turma vai entender.
“Eu sinto o aplauso e sinto a vaia/ ah, tudo de novo”, canta Dona Inah, à capela, na faixa de abertura. Contradição? Não. A música de Rômulo Fróes é a reciclagem de tudo, a contribuição milionária de todos os erros e acertos, a não-negação do passado. Não busca o radicalismo da atonalidade, não descamba para a escatologia, preserva o formato básico da canção, tem até parte-A-parte-B-e-refrão. Mas é diferente. Ou, como diz a faixa-título “Sabe quem sou/ sabe o que é/ um labirinto em cada pé/ em cada mão/ um contrapé/ cara de cão outra mulher/ clara não sou/ mas se quiser/ posso explicar ou não mané”. Entendeu?
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Romulo Fróes
3.9.11
O incansável Sargento.
Nelson Sargento comemorou seu 87º aniversário no dia 25 de julho. Autor de sambas-enredos antológicos e sambas de meio de ano dos mais inspirados, Sargento é figura de proa da nossa música e um arquivo vivo da história da Mangueira – tanto da escola e quanto do morro.
Nelson Sargento é do tempo da zagaia – quando se amarrava cachorro com lingüiça -, mas ele está na moda e mais atual do que nunca. Fonte permanente de consultas para a elaboração de reportagens, livros ou filmes, Sargento é a memória viva do samba carioca. Disponível a quantos o procuram, ele é o rei da simpatia. Esbanja otimismo e felicidade, nunca nega um sorriso a quem dele se aproxima – mesmo quando andava desfalcado do teclado, abria aquele sorriso, de escassos dentes, de quem está de bem com a vida.
Nelson Sargento nasceu na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro, no dia 25 de julho de 1924, e ganhou o apelido quando serviu o Exército, nos anos 40. Aos 8 anos de idade já desfilava tocando tamborim na Escola de Samba Azul e Branco do morro do Salgueiro, onde morava. Quando sua mãe, viúva, juntou-se ao marinheiro mercante Alfredo Lourenço, o Alfredo Português, ele foi morar no aglomerado de Santo Antonio, no morro da Mangueira. Tinha 12 anos de idade. Cresceu vendo os ensaios do samba e ouvindo as composições de Cartola e Nelson Cavaquinho, que lhe ensinaram a tocar o violão. Logo virou parceiro do padrasto, que era letrista respeitado no morro e passou a escrever suas poesias para o rapaz musicar.
Em 1947, quando Nelson estava com 23 anos, Alfredo passou a integrar a ala de compositores da Mangueira e o enteado foi junto. Da parceria com Alfredo saíram “Vale do São Francisco” (um samba-enredo de 1948), “Samba do Operário” (com participação de Cartola) e “Freira mais querida” (isso mesmo, uma homenagem a alguma freira, com a parceria de Nelson Cavaquinho). A dupla venceria o concurso de samba-enredo da escola em 1949 com “Apologia ao Mestre” e em 1950 com “Plano Salte – Saúde, Lavoura, Transporte e Educação”, garantindo o título de bicampeã para a verde e rosa no Carnaval. A escola foi vice-campeã em 1955 com “Cântico à natureza”, uma parceria da dupla com Jamelão e que é considerado até hoje o melhor samba-enredo da escola em todos os tempos.
Os anos 60 foram encontrar Sargento tocando no grupo que animava o lendário Zicartola, o restaurante de Dona Zica e Cartola, que virou ponto de encontro de sambistas e intelectuais, na Rua da Carioca, 53, Centro do Rio. A carreira profissional de Nelson Sargento deslanchou mesmo quando participou do show Rosas de Ouro, em 1965, com a participação de Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Jair do Cavaquinho, Anescarzinho do Salgueiro, Clementina de Jesus e Aracy Cortes. Integrou, depois, o grupo Voz do Morro – do qual participavam Paulinho da Viola, Zé Kéti, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, José da Cruz e Anescarzinho do Salgueiro. Fez parte ainda de Os Cinco Crioulos, composto por alguns sambistas do Rosa de Ouro e do Voz do Morro, aos quais se juntou o compositor Mauro Duarte. Em 1979, o selo Eldorado gravou o primeiro disco solo de Sargento “Sonho de um sambista”. Seguiram-se mais oito discos de carreira e várias coletâneas.
E ainda tem o seu lado de pintor e escritor. Ufa! Continência ao incansável Sargento!
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Nelson Sargento
27.8.11
Preciso de você agora.
Cut Copy - Need You Now
Cut Copy | Myspace Music Videos
A repercussão de “In Ghost Colours” foi grande, a expectativa futura também, e o Cut Copy foi se trancar num depósito vazio em Melbourne para parir mais uma pérola do electro-pop. É “Zonoscope”, álbum com deliciosas canções que saiu nos primeiros dias de fevereiro e mostra jovens músicos no auge de sua força criativa, com maturidade crescente e que traz alguns paradoxos de artistas ainda ligados à aura underground, mas que basta um tropeço para se tornarem pop.
“Zonoscope” não reinventa a roda: é o mesmo Cut Copy do álbum anterior investindo em novas variações – mais ousadas, diga-se de passagem -, da mistura entre eletrônica e rock alternativo orgânico. As cinco primeiras faixas do álbum mostram bem esta ênfase e trazem uma boa ponderação sobre os rumos do grupo: eles estão bem cientes de onde querem chegar e caminham para o estrelato indie pop com cautela e visão.
E enquanto eles abrem os trabalhos com o minimalismo techno-pop da sublime “Need You Now” (mais uma aposta das melhores faixas de 2011), linhas de baixo surgem adocicadas logo depois, pipocando refrões grudentos e “oooh, yeahs” inesquecíveis nas brincadeiras pop de “Where I’m Going” e “Take me Over”, faixas que parecem feitas sob medida para trilhas sonoras publicitárias e cinematográficas.
Ouvir o primeiro álbum do grupo “Bright Like Neon Love” de 2004 mostra como é grande a evolução do simplório dance-pop tubular, influenciado pela obviedade Daft Punk, para um grupo que achou sua identidade e que segue ousando suas características com passos bem medidos e uma grande dose de acerto. Tem como não se apaixonar pelo riff sintético de “Alisa”? E dá para não se entregar ao hedonismo dance de “Need You Now”? Ou será que o “please, baby, please” cheio de chimbaus de “Pharaos & Pyramids” não lhe causa nenhum efeito? É como eles mesmos dizem na faixa cinco: pisque e você perderá uma revolução.
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Cut Copy
20.8.11
“Cálice” de Criolo.
Confesso: não sou fã de rap. Gosto não se discute, pois vem de influências de tempos diversos. Gosto demais de música pra gostar “de graça” de rap. Sou tão alheio ao estilo que descobri ao escrever a coluna que rap originalmente nasceu como poesia ritmada (Rhythm And Poetry). Nada contra rimas e ritmos, mas na origem do gênero faltavam alguns elementos básicos para minha fruição, como melodia ou harmonia. Sou totalmente leigo em poesia declamada, mas respeito quem a faz bem e curte. Na Rússia é arte nacional, cultuada por milhões de pessoas, em escolas, botecos e saraus.
Acompanhei o re-surgimento do movimento hip hop quando morei em São Paulo de 1998 a 2004. Dali surgiram alguns bons poetas e os Racionais foram um marco cujo impacto é definitivo. Gente como Thaide, Rappin’ Hood, Gog ou MV Bill são mentes inquietas que ampliam os caminhos do gênero. Alguns “brancos espertos” surfaram na onda, como Gabriel o Pensador ou Fausto Fawcett, deixando aí sua marca. Gostei muito do filme Antônia (2007), de Tata Amaral, que levou Negra Li ao estrelato e mostra o lado feminino do rap. O que sempre me incomodou foi a submissão acrítica ao modelo americano de rap. A imitação dos trejeitos, dos scratches, dos passos de break, das roupas, colares e óculos escuros.
Há alguns anos ouvi falar de Criolo Doido. Ativista do rap, criou a bem sucedida Rinha dos MC’s, em São Paulo, que virou circuito em todo o estado. Lançou um disco em 2006 chamado “Ainda Há Tempo” e entortou a cabeça do pessoal com “Nó na Orelha” lançado no ano passado. Na coluna “Memórias da avó” aqui na RIOetc, destaquei uma das músicas que ele gravou com Gui Amabis e que realmente ficou surpreendente. Em “Nó na Orelha”, gostei de umas faixas, menos de outras. Espiei alguns vídeos na rede e a cara de Criolo foi ficando familiar. Até que topei com este vídeo, gravado em condições precárias, num bar, sem playback, em que o poeta faz uma homenagem à canção “Cálice”, de Gilberto Gil e Chico Buarque.
Na verdade, ele canta outra letra, sobre a mesma melodia, sem respeitar muito a métrica. Me arrepiei do mesmo jeito que havia acontecido quando ouvi a canção original pela primeira vez. A voz embargada de Criolo, cantando a cappella, transmite tudo. E o fato de citar Milton, e não Gil, se deve ao fato da interpretação do mineiro (junto com o carioca) ter se tornado a referência auditiva para esta grande, imensa canção. Criolo a tornou ainda maior.
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Criolo
13.8.11
Metronomy na Riviera Inglesa.
Curiosidade: a Riviera Inglesa é composta por três cidadezinhas na baía de Torbay, na Cornualha. Brixham, Torquay e Paington são o mais próximo que nossos amigos da Terra da Rainha podem chegar de um clima tropical (but not quite) sem ir até o continente. Pelas 22 milhas de encosta, as inglesas podem desfilar seus maiôs listrados em branco e azul e botar aquelas coxas branquelas para tomar um solzinho (but not quite), molhando os pés nas águas quentes do Canal da Mancha. Alegria ensolarada com aquele bronze kani-kama.
Como esse verão que arde mas não queima, essa é a tônica do terceiro LP da carreira do Metronomy. Melodia amorosa, harmonia frustrada. Harmonia apaixonada, ritmo neurótico. Ritmo tranquilo, melodia frenética. Instrumentação ensolarada, letra ácida. O som produzido pelo quarteto nunca chega a ser abrasivo, mas corroe como maresia. A banda funciona perfeitamente pelas 11 faixas do disco com uma engrenagem muito bem azeitada que, com muito poucos elementos, consegue produzir momentos de beleza sutil, paixão pueril, decepção, otimismo e até momentos de sacolejo de quadril. Curto muito isso.
O Metronomy já foi muito mais um esforço de propriedade do band-leader Joseph Mount, mas em “The English Riviera” a banda soa muito mais concisa e há espaço para todos os seus integrantes brilharem nos momentos certos. Seja a (belíssima) bateirista Anna Prior com um delicado trabalho vocal na faixa “Everything Goes My Way”, onde a moça canta por cima dos backing vocals cedidos por ela mesma, ou o baixo pulsante de Gbenga Adelekan, que segura pelos colarinhos faixas como “The Bay” e “Corinne”. Backing Vocals brincalhões, assinaturas rítmicas diferenciadas, sintetizadores, guitarra sequinha e pontual. Tudo preciso, intenso e nada forçado. Composições inteligentes e minimalistas.
I’m a sucker for traços de oitentismo que estão presentes no disco, mas “The English Riviera” está longe de ser saudosista. Há quem reconheça notas de bandas como The Bolshoi, Pet Shop Boys ou Spandau Ballet, mas quem as ouve falando mais alto que a sonoridade da banda está muito preocupado com a genealogia e esquecendo da musicalidade. O disco reflete um Metronomy que delimita muito bem seu ramo de atuação (pop avant-garde com sensibilidade melódica e melancólica) e que evoluiu de forma espantosa desde o último LP. Tudo bem que a Riviera Inglesa não é a formosa Baía de Guanabara. Joseph Mount e sua trupe estão tranquilos em relação a isso (but not quite) e, se você quiser, eles te levam até lá. Cheers!
The Look - Metronomy by WeirdBrowser
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Metronomy
6.8.11
Respingos tropicais do Copacabana Club.
Uma banda pode se destacar de duas formas: re-inventa a roda ou coloca várias delas juntas e sai por aí se divertindo muito. O Copacabana Club optou pelo segundo caminho com uma junção de influências modernas que não se cristalizam em inovação sonora, mas se traduzem em muita autenticidade e diversão. O Copacabana Club é claramente uma das bandas nacionais com a identidade mais bem formada na cabeça do público. Um delicioso indie-rock dançante tropical!
Se existe algo que pode ser dito sobre o Copacabana Club é que estes curitibanos sabem direitinho o valor da produção. Desde seu surgimento, quando a banda tinha apenas umas poucas dezenas de shows no currículo, os Copas maximizaram sua exposição com o muito bem produzido clipe de “Just Do It” e uma imagem impecável. A estrada se tornou a mãe da banda e os shows em palcos cada vez maiores trouxeram a necessidade de construir uma sonoridade mais cheia e bem-acabada.
Foi aí que o produtor Dudu Marote entrou em cena. O disco levou mais de 1 ano e meio sendo gravado e afinado em seus mínimos detalhes. A experiência de Dudu com a música pop e também com a eletrônica caíram como uma luva para a banda. Guitarras, baixo, teclados, bateria e vocais conspiram de forma harmônica para criar o clima ensolarado e bem-humorado de “Tropical Splash”. O disco soa como deveria: grandioso, energético, sensual e divertido.
As composições novas também são um grande destaque do disco. A faixa “Pas Toujours” (com a proeminência da voz do guitarrista Alex) é uma das mais bacanas de “Tropical Splash”, com seus sintetizadores ligeiramente desafinados, baixo a la New Order e guitarrinhas emulando gaivotas. Elegante. A faixa “Tropical Splash”, que dá nome ao disco, também é bem bacana. Segundo a vocalista Cacá V, a música surgiu durante aulas de natação e, cá pra nós, tem cheiro de hit e já vou soltar na pista da festinha de um camarada amanhã.
E talvez um dos pontos que mais avançaram das primeiras demos dos Copas para este lançamento tenha sido justamente a presença da voz de Cacá. Enquanto os primeiros registros da banda carregavam sua voz com uma quantidade meio exagerada de efeitos, em “Tropical Splash” sua presença é muito mais segura e natural. Desta vez, conseguimos ouvir as pequenas nuances de timbre em sua voz. Momentos de rouquidão, arranhados, pequenas desafinadas, dinâmicas diferenciadas. Está tudo lá e isso é muito bom, dá ainda mais personalidade ao som do Copas.
“Tropical Splash” é o retrato de uma banda que consegue levar muito a sério seu trabalho e ao mesmo tempo não levá-lo nada a sério. O Copacabana Club não quer inventar nenhuma roda, mas encara com audácia o objetivo de fazer todo mundo dançar. Bela estreia!
Tropical Splash by copacabanaclub
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Copacabana Club
30.7.11
As lindas letras ordinárias de Amy.
A “crônica pop de uma morte anunciada” da cantora britânica Amy Winehouse vai nos privar de seguir sua carreira turbulenta errática, mas sempre interessante – a não ser que o tal “próximo disco” saia, ainda que póstumo. A curta carreira de Amy pode ser vista de várias maneiras: a da voz de contralto privilegiada, a de seus excessos enquanto arma para entender a bagunça de sua vida público-privada, a de fazer despontar uma quantidade infindável de cantoras mulheres (em redundância proposital) nas paradas britânicas, a do resgate da modernidade da Soul Music para um público jovem e guitarreiro.
Talvez seja mais bonito ver Amy Winehouse dentro do contexto geracional sincero e simples no qual ela esteve inserida e, por alguns motivos, foi luminar. Ela era capaz de fazer uma linda letra de música de uma cotidiana e mundana ida a um pubzinho. A amiga “pop/reggae” Lily Allen, o rapper The Streets e o grupo de rock Arctic Monkeys são excelentes parceiros de Amy nesse estilo. Enquanto a primeira fez a fama com uma música sobre um “pé-na-bunda” amoroso numa sinceridade simples de doer, o The Streets chegava perto do “rap perfeito” narrando a ida a um pub para ver um jogo de futebol e o Arctic Monkeys fazia uma das mais incríveis canções de rock dos últimos tempos ou descrevendo como era tratado pelos seguranças da porta de um clube, na hora em que chegava sua vez na fila para entrar, Amy estourou mundialmente com a inesgotável “Rehab” que narrava suas conversinhas com o pai sobre se devia ou não ir a uma clínica de reabilitação para tratar de seu vício em drogas e bebidas. O pai dizia que ela estava bem, ela preferia ficar em casa com o namorado e, na conversa com o doutor, dizia que não tinha idéia de por que precisava de ajuda médica. Isso sempre disse muito sobre Amy no artístico e no pessoal, né não?
Uma das canções mais belas, sua em particular ou da música inglesa em geral, é “You Know I’m No Good”, cujo título já diz muito sobre o recado que Amy sempre quis passar para quem quisesse ouvi-la. Ela nos contava sobre as brigas com o namorado, de traí-lo com o ex e das conversas no bar regada a Stellas. É o cotidiano boçal de uma “inglesa comum” nas paradas de sucessos do mundo todo! Repare que com Amy Winehouse, Arctic Monkeys, The Streets, Lily Allen, e um monte de outros ingleses dessa geração, não há poesia na letra ou reflexões elocubrativas sobre o amor e a vida. A não ser que isso tudo seja pintado com as cores de um dia-a-dia ordinário.
No caso de Amy, passamos a conhecê-la tanto por suas canções que sua morte nem chega a ser uma baita surpresa. Estava escrito em suas músicas.
P.S.: Na programação dos shows diários que o iTunes Festival faz no Roundhouse em Londres, a afilhada de Amy Winehouse, a cantora Dionne Bromfield, de 15 anos, fez uma apresentação quarta-feira passada. Dionne estava abrindo para a sensação pop adolescente inglesa, The Wanted. Amy Winehouse – que morava pertinho dali, em Camden – apareceu de supetão no show de Dionne, subiu ao palco, não cantou exatamente uma música, mas deu aquela dançadinha e incentivou o público a sair de lá e comprar o disco da pupila. Foi a última aparição de Amy em um palco.
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Amy Winehouse
9.7.11
Memórias da avó.

“Memórias luso africanas” não merece ficar a ver navios. Belo, dramático e épico, o primeiro disco solo (e independente) de Gui Amabis chega ao mundo este mês como uma relíquia de tons cinematográficos. Tendo como ponto de partida as histórias que ouvia da avó, já falecida, o produtor paulista embarcou numa viagem no tempo e criou uma odisséia musical, na qual relembra sua trajetória familiar.
Se o disco – que começou a ser gravado em 2007 e só foi finalizado há poucos meses – parece a trilha de um filme antigo, remetendo a trabalhos do inglês Cinematic Orchestra, créditos para Amabis. Ele assinou a música de “O senhor das nuvens” e “Quincas Berro D’Água”, além de produções para a TV como “Cidade dos homens”. Ao lado de outro parceiro, o baixista e também produtor Antonio Pinto (do Almaz), ele chegou a Hollywood, trabalhando na produção musical de filmes como “Colateral” e “Senhor das armas”. Outra experiência anterior, o grupo Sonantes, ajudou Amabis na seleção do elenco que participa do disco, que tem convidados como Dengue (baixo), Curumim (bateria) e Régis Damasceno (guitarra).
O Sonantes, que lançou um disco em 2008 pela gravadora americana Six Degrees (relançado agora pelo selo Oi Música), era uma produção coletiva, dividida entre Dengue, Pupilo, Lúcio Maia, Catatau e a própria Céu, além de Rica Amabis, do Instituto, irmão de Gui. Céu, que empresta a voz em parte do álbum, é também esposa de Amabis e, juntos, protagonizam o momento mais bonito e delicado de “Memórias Luso/Africanas”, com o quase fado “Doce Demora”, uma linda homenagem à filha do casal – Rosa Morena, de 3 anos.
Tulipa Ruiz também participa, com as praieiras (no ritmo e na letra) “Sal e Amor” e “Ao Mar”; Lucas Santtana canta a bela “O Deus Que Devasta mas Também Cura”, mas a contribuição mais surpreendente ficou por conta do rapper Criolo, que solta a voz na boa levada de “Orquídea Ruiva” e em “Para Mulatu”, uma das memórias africanas do álbum. A equipe nas dez canções é bastante requisitada e eficiente. Curumin, Siba, Rodrigo Campos, Dengue, Regis Damasceno, Thiago França, entre outros, completam o time em grande estilo.
Com um conceito bem amarrado, belas melodias, forte pesquisa de ritmos e muito carinho em todo o processo, Gui Amabis estreia como um camisa 10. Apesar da notável criação, Amabis, afogado em outros trabalhos, não pretende comandar sua nau musical por muito tempo e vai continuar nos bastidores. Corre lá e baixe gratuitamente essa pérola em guiamabis.com!
Para Mulatu (Gui Amabis feat Criolo) by criolo_oficial
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21.5.11
As aventuras da Blitz no Viradão!
Artistas com o desejo de atingir o grande público e uma lona azul e branca. Assim nasceu o Circo Voador, na Praia do Arpoador, em Ipanema. O verão de 1982 mudou o cenário artístico-cultural da cidade e alavancou várias bandas, muitas até hoje consagradas em todo o país. O Circo Voador mudou de endereço, se instalou na Lapa, defronte aos Arcos, e continua sua vocação de um espaço para a criação e apresentação das mais variadas expressões de arte e cultura populares cariocas e brasileiras. E a 3ª edição do Viradão Carioca, que rola de até amanhã, homenageia o famoso palco e o seu público com apresentações de artistas que fizeram sucesso sob a lona na década de 80: Biquíni Cavadão, Inimigos do Rei, Léo Jaime, Arnaldo Antunes e, last but not least, a queridíssima Blitz.
Em 1982, quem arriscou comprar um compacto chamado “Você não soube me amar” caiu na gargalhada ou pediu o dinheiro de volta. O lado B trazia uma música chamada “Nada”, em que um jovem e debochado carioca Evandro Mesquita repetia incessantemente a palavra “nada”. Nada mais. Felizmente, para os garotos da banda, o primeiro lado virou um sucesso estrondoso e, quando chegou às lojas acompanhado das outras faixas do disco “As Aventuras da Blitz”, trouxe fama nacional ao grupo carioca.
Mas o senso de humor da estréia não deve ser ignorado. É um dos ingredientes-chave na música da Blitz, um filtro pelo qual todas as influências da banda passavam. A primeira formação era composta por Evandro nos vocais, Lobão na bateria, Ricardo Barreto nas cordas, Fernanda Abreu nos backing vocals, entre outros no septeto. Apesar das letras cômicas, o grupo era antenadíssimo no que se passava no cenário internacional. Evandro, Lobão e companhia mesclavam reggae com dance rock, funk, rockabilly – boa parte dos estilos que formaram o punk inglês alguns anos antes e ainda pairavam pelo zeitgeist do rock. A musicalidade dos arranjos, assinados por todos, é notável. Um power trio bem amarrado pela bateria de Lobão segurava a banda. As texturas plásticas que estavam em voga na época eram compensadas pelo acompanhamento de Fernanda Abreu e Márcia Bulcão, que entoavam “tchubirubas” e “ua ua uas” bem harmonizados onde sobravam espaços. Ecos da Jovem Guarda se fazem ouvir na atitude de galã que Evandro assumia. E quando a Blitz embarcava no rock and roll dos anos 50, aquele senso de humor presente desde o primeiro single evoca Raulzito.
Com um rock leve, letras bem-humoradas e performance teatral no palco, a Blitz tocou no Rock in Rio de 1985, se apresentou por todo o Brasil e no exterior e se consolidou como fenômeno de massa. Lançaram produtos como revistas em quadrinhos e álbum de figurinha, em parte devido a sua grande popularidade entre as crianças. Depois do terceiro LP, a banda se desfez em 1986, voltando a se reunir ocasionalmente para shows ou eventos.
Fernanda Abreu seguiu uma bem-sucedida carreira solo e Evandro Mesquita se firmou como ator. Em 1995 a EMI lançou “Blitz ao Vivo” e dois anos depois alguns ex-integrantes se reuniram e gravaram o CD “Línguas”, mas nada comparado à inspiração que a banda tinha com o gel New Wave. E vamos nós ao Viradão Carioca! Geme geme!
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Blitz
14.5.11
Red Hot + Rio 2 = Tropicália!
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A Red Hot Organization tem mais de duas décadas de empenho na luta contra a difusão do vírus HIV e na conscientização para a prevenção, principalmente junto ao público jovem. Um dos caminhos pelos quais a organização buscou criar o tal “awareness” sobre o assunto foi estreitando seu relacionamento com o mundo da música. Desde 1990, a entidade organiza compilações musicais de extremo bom gosto, e que em alguns casos viraram clássicos cult, como é o caso da primeira da série “Red Hot + Blue” lançada no mesmo ano de 1990.
Em 2011, a luta continua sempre relevante e mais uma compilação está prestes a ser lançada. O álbum “Red Hot + Rio 2” será lançado em 26 de junho e trará 34 gravações originais. Essa não é a primeira vez que a Red Hot Organization homenageia o Brasil. Em 1996, foi lançada a primeira “Red Hot + Rio”, que trazia músicas de Chico Science, David Byrne, Marisa Monte, entre outros, homenageando a nossa bossa nova. Nessa edição, gringos e brasileiros celebram a Tropicália e todas as possibilidades e rupturas que o movimento representou em seu surgimento na década de 60.
O tributo é bem completo e cheio de nomes e misturas interessantes. Imagine só o Of Montreal junto com Mutantes fazendo uma versão de “Batmacumba”, Javelin e Tom Zé atualizando “Ogodô, Ano 2000″ e ainda Marisa Monte, Devendra Banhart e Rodrigo Amarante com “Nú com minha música” para os ouvidos do século XXI. Diversos artistas independentes participam da compilação, tais como Beck, Beirut, Cults, Curumim, Phenomenal Handclap Band e Emicida e fazem dessa uma das mais contundentes homenagens ao que muitos consideram o movimento cultural mais representativo da nossa Ilha de Vera Cruz no século passado.
Aproveite para baixar a linda versão que a querida banda Beirut fez para “O Leãozinho” de Caetano. Bacana!
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Red Hot + Rio
7.5.11
O toque de Marcelo Camelo.

Artisticamente, a mudança é mais que humana: é percurso. No caso de Marcelo Camelo, desde os tempos de Los Hermanos, o caminho parece ser não se referenciar pelos paradigmas, mas relativizá-los constantemente. A ruptura e a busca da reinvenção não são mera iconoclastia, mas sim um grande elogio à liberdade criativa.
Afirmar que Camelo fez um álbum de amor talvez não soe como uma novidade, mas “Toque Dela” é, certamente, seu conjunto de canções que soa mais pessoal: o amor como declaração direta e carta aberta. Gravado ao longo de 2010 no estúdio El Rocha, entre caminhadas no bairro de Pinheiros, nos alpes paulistanos, onde fica o estúdio e onde ele mora há dois anos, “Toque Dela” é um álbum tranquilo, como se produzido por ele próprio e gravado entre amigos e sem pressa, o que realmente foi. É um álbum bem pessoal, com algumas faixas gravadas pelo próprio Camelo tocando as bases de baixo, bateria, percussão, violão e guitarra. Em todas as outras, é acompanhado pelo sexteto Hurtmold, que já tocava em metade das faixas de seu primeiro álbum. Curiosamente, ao mesmo tempo que é um álbum mais “de banda” do que o anterior, é cheio de tons acústicos, costurado com assobios, ukuleles, metalofones, naipes de sopros, cores, pores-do-sol, visões do mar, solos e ruídos poéticos.
Três das dez músicas do álbum, por sinal, citam São Paulo. Quatro falam do sol. “Morena” e “Pretinha” também são referências comuns e a palavra amor aparece sete vezes nas letras. Três anos atrás, quando duetava em seu primeiro álbum com Mallu Magalhães, com quem começava a namorar então, Camelo cantava a possibilidade de a eternidade ser cruel. Hoje, em ‘‘Vermelho’’, faixa em que Mallu participa, ele se assume sem medo, filho da eternidade. Tempo de recomeçar, declaração direta, como em “Acostumar”, “Pra Te Acalmar” e “Tudo Que Você Quiser”. A solidão é doce, mas é triste viver só dela.
Um grande álbum, como toda a arte, capta palavras, sons, idéias e fotografa o momento. Em sua estética do espontâneo, desenhando um universo poético simples, mas não óbvio, Marcelo Camelo finalizou um álbum de amor tocante como afirmação artística. Talvez ouvir de longe o antigo companheiro de banda Rodrigo Amarante e de perto a namorada, Mallu Magalhães, tenha lhe feito bem. Não apenas um álbum sobre o toque dela, mas um álbum com um toque dela. E lá vamos nós ao Circo logo mais para participar dessa estória.
Marcelo Camelo - Ô ô by gomesemaia
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Marcelo Camelo
30.4.11
Seu Dorival Caymmi é um carioca da gema.
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Ele é baiano (da clara) porque é um carioca da gema e da alma. Seu Dorival Caymmi chegou ao Rio de Janeiro na flor da juventude, nos seus 20 anos, e no Rio viveu por mais de setenta. O pai dos também músicos (cantores e compositores que não negam a raça) Nana, Dori e Danilo, Dorival Caymmi nasceu em Salvador (BA), em 1914, no dia 30 de um mês de abril.
De lá trouxe o mar, o eterno mar baiano que tanto banhou sua criação, os joões valentões, as rosinhas de chica, josés, pedros, marinas, mães menininhas, doras, zecas e a parentalha toda. Depois de pegar no Nordeste o Ita que seguia do Norte, para no Rio de Janeiro morar. Tranqüilidade seria uma palavra perfeita para descrever esse grande contador da vida dos pescadores, muitas vezes trágicas, mas contada por ele de forma suave, pura, simples. Ele se instalou entre as ondas do rádio e as amizades tão importantes para a sua vida e obra, como Ary Barroso, Antonio Maria, Mário Lago, Custódio Mesquita, Braguinha, Millôr Fernandes, Lúcio Rangel e tantos outros. Baiano de boa prosa, era bom de fazer amigos; e de fazer canções também.
A primeira obra nasceu quando ele tinha 16 anos, e chamava-se “No sertão”. Caymmi compôs pouco, honrando a inexplicável fama de preguiçoso, mas tudo o que fez está muito acima da média. Foi capaz de nos mostrar toda a doçura de viver/morrer no mar, doçura de viver, doçura. E ele seguiu tranqüilo, com pouco mais de 100 canções em 94 anos de vida, chegando a levar anos na criação de uma, burilando um pouco num dia, descansando no outro, retornando depois de anos – é um bom tempo, dizia ele, é um bom tempo. É impressionante a garantia de qualidade que jorra de seu repertório. Cantou e contou a paisagem baiana como ninguém em seu jogo diferente de ritmos. Projetou-se com o sucesso “O que é que a baiana tem?”, fazendo de Carmen Miranda uma verdadeira baiana. Seu nome está definitivamente atrelado a canções como “Suíte dos pescadores”, “Rainha do mar”, “Dora”, “Eu vou pra Maracangalha”, “Menininha do Gantois”, “Marina”, “Samba da minha terra”, e por aí vai.
Caymmi foi o respeito pela vida, foi seu ritmo. A obra de Caymmi, que morreu em 2008 e era carioca por adoção e devoção, está para sempre em nossa lembrança. Bem como o seu lindo sorriso.
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Dorival Caymmi
23.4.11
Às vezes eu mordo, às vezes eu lambo.

O iluminado produtor e DJ carioca João Brasil – nosso rei do mashups – compôs um grudento sucesso para este verão e botou a musa Lovefoxxx do Cansei de Ser Sexy para cantar junto. E quando digo “verão” é para o Hemisfério Norte, pois o hit foi lançado nessa semana na Inglaterra: a deliciosa “L.O.V.E. Banana”, que você ouve aí embaixo. É “uma fruta sexy sexy que vem da terra dos pássaros tropicais”.
João Brasil fez a música na terra da Rainha, gravou uma voz guia e mandou como sugestão de colaboração para a vocalista do grupo paulistano dar aquela temperada. Ela caprichou e devolveu o arquivo com a voz dela na música. O resultado é um “electro-lambada-pop-brega-cool” que o 2ManyDJs vai morrer para remixar quando ouvir.
Com uma letra ótima que faz ode à banana, essa fruta tão… brasileira. O EP sai com seis remixes gringos pelo selo Man Recordings. A faixa bônus do disco tem, para completar a bagunça, Gaby Amarantos, a rainha do tecnomelody paraense, cantando “Águas de Março”. Vai vendo!
Em uma publicação no site da Man Recordings, alguns DJs ouviram “L.O.V.E. Banana” e disseram o que acharam da música:
- Armand Van Helden: ““Smells like summer hit”
- Crookers: “My new lambada, lovely”
Toquei a música numa festinha no sábado passado, no meio de umas pitadinhas… A pista estranhou no começo e depois soltou as cadeiras facinho, facinho… rsrsrs
L.O.V.E. Banana feat. Lovefoxxx (Hoshina Anniversary Remix) by hoshina
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João Brasil
16.4.11
Fora de controle!
Se você mora no Brasil, tem qualquer relação com música e não foi abduzido nos últimos dias, é bem capaz que saiba que a banda irlandesa U2 realizou no final de semana passado em São Paulo dois de seus megashows que fazem parte da absurda turnê 360º: garras gigantes, palco que gira, telão descomunal, som cristalino e músicas “clássicas” que estavam fora das apresentações da banda há anos.
Você pode não gostar do messianismo do Bono, ou do gigantismo que a banda atingiu, e curtir apenas o U2 “do começo”, mas o desempenho no palco, ainda que a banda tenha mais de 30 anos de estrada, é espetacular. Sim, o show e o U2 também têm suas músicas chatinhas e o impacto visual Blade Runner/Disney vai do sublime ao bobo, mas, para uma banda que tem inúmeras músicas poderosas e toda a sua estrada sólida e rica, Bono, Edge, Adam e Larry parecem meninos com fome de rock ao tocar. Pode-se dizer tudo, mas nunca que um show do U2 é um show “mais ou menos”.
No caso do de domingo, o show foi especialíssimo. Foi justamente nesse show de domingo, nos chuvosos alpes paulistanos, que a banda quebrou o recorde de bilheteria da maior turnê na história do rock, honra que pertencia aos magnânimos vovôs-garotos do Rolling Stones. Até o fim da turnê no Canadá, vai ser difícil para qualquer outra banda, até mesmo para o próprio U2, quebrar esse recorde novamente.
Especialíssimo também porque a banda tocou duas músicas raríssimas e que, como o próprio Bono falou antes de executarem a primeira, “só tocamos essa em momentos especialíssimos”, por isso estou usando tanto a palavra. A primeira foi o espetacular primeiro single do U2 – “Out of Control” – que apareceu em um EP de 1979, um ano antes da banda lançar o seu marcante álbum de estréia “Boy”. O U2 não tocava “Out of Control” desde 2006, segundo eu li no Twitter de fãs do U2. A segunda música rara que os privilegiados fãs viram ao vivo foi uma versão na íntegra de “Zooropa”, música que abre o álbum homônimo de 1993 e que só foi tocada apenas em um show (!!!) da turnê do próprio álbum. Épico!
Se você não pôde estar lá para presenciar o novo patamar que a música ao vivo atingiu com o U2, aí vai o vídeo da afiada e afinada “Out of control”. Um detalhe: essa primeira música do U2 foi a segunda música do show e, dali em diante, foi uma catarse coletiva seguida de outra. E olha que eu sou fã inveterado de Pearl Jam, que de catarses não deve nada a ninguém, mas o U2 realmente fez dessa passagem pelo Brasil algo apoteótico e singular na história do rock.
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U2
9.4.11
Killing Bono!
Aproveitando o gancho da vinda do U2 ao Brasil, semana passada rolou a pré-estréia mundial em Dublin do tão falado filme “Killing Bono”: a história real de dois irmãos que em 1976 formaram um grupo de rock na cidade com ambição de se tornarem a maior banda do mundo. No mesmo período e na mesma sala de aula que eles, o amiguinho Paul Hewson, que assumiria logo a alcunha de Bono Vox, teve a mesma idéia de fazer uma banda, mas com outra galera e sem tanta pretensão assim de virar rock star, segundo a lenda.
“Killing Bono” e seu ótimo mote “The outrageous true story of two nobodies who took on the biggest somebody on Earth”, estreou oficialmente dia 1º de abril no Reino Unido e Irlanda, e em julho no resto da Europa. O filme é inspirado no livro “I Was Bono’s Doppelganger”, lançado há oito anos pelo músico e jornalista musical Neil McCornick, amigo pessoal do U2 e ele próprio um dos irmãos da banda “rival”, que na mesma cena encontrou o fracasso total na inversa medida em que o amigo Bono trilhou o caminho da fama absoluta. Curiosidade: “Doppleganger” significa ser uma “cópia”, assumir a personalidade de uma outra pessoa, imitando-a em tudo o que ela faz.
A banda rival do U2, formada pelos irmãos Neil e Ivan McCornick, primeiro se chamou Yeah Yeah! e depois Shook Up!. Até assinaram um contrato com uma gravadora, mas nunca foram “alguém” na cena punk e pós-punk britânica por onde gravitavam, mesmo sendo irlandeses independentes. “Killing Bono” é um filme que celebra o fracasso. O personagem principal e autor do livro explicou também o fato de que o título “mata” o líder do U2 apenas no sentido metafórico, porque seria uma espécie de vingança de Neil por Bono ter roubado TODA a sua sorte no colégio, quando formaram suas bandas. Então, para tentar recuperá-la, a saída foi matar Bono pelo menos no cinema. E deu certo, num sentido.
Bono, que esteve no Brasil esta semana, não pôde comparecer à pré-estréia do filme em Dublin. McCornick disse que o astro do U2 não ficou bravo com ele por causa do título do filme. Inclusive já teve uma sessão privê de “Killing Bono” e disse ter gostado do resultado, dando seu aval.
Dizem, mas ainda não encontrei nada a respeito para ler, que Bono liberou para Neil McCornick uma música dele pré-U2, dos tempos do colégio, para ilustrar sonoramente as cenas dos dois na escola. A canção seria “Secret Mission”, escrita por Bono há 30 anos, gravada pelo U2 nos primeiros momentos como banda formada e nunca colocada em disco.
Quem faz o papel de Neil McCornick em “Killing Bono” é o bacana ator inglês Ben Barnes, que já teve sua boyband, mas não quer falar muito sobre o assunto. Hahaha!
31.3.11
A synth-salada do Miami Horror.
Se você recita mantras do tipo "a música dos anos 70 e 80 é que era legal", então preste atenção num cara chamado Benjamin Plant, de Melbourne, Austrália. DJ, produtor e o cérebro por trás do Miami Horror – que remexe a nossa quinta que vem (07/04) no Circo Voador - Ben é dotado de uma capacidade impressionante de absorver, reprocessar e fazer sua música soar tão bem quanto suas assumidas influências destas duas décadas, sem cair no pastiche. O Miami Horror surge em 2010 com um álbum sofisticado, inteligente e extremamente bem produzido.
“Illumination” começa com Plant tentando nos desorientar com os dois pomposos minutos de "Infinite Canyons". Felizmente os passos que caminham de um canal para outro do fone de ouvido atravessam a paisagem sonora da abertura e caem direto na pista de dança em "I Look To You", uma obra de inspiração french house com um loop de metais metralhado por percussão e sustentada por uma linha de baixo de fazer Bootsy Collins choramingar baixinho. A voz relaxada da neozelandesa Kimbra faz o contraponto perfeito com a euforia disco da faixa.
Com sua síntese New Orderiana, "Sometimes" foi o primeiro single de Illumination. Tem uma letra que cheira a espírito juvenil e é também um dos pontos altos do álbum: uma audição mais atenta revela o trabalho meticuloso de Ben Plant ao preencher cada espaço da canção com efeitos, loops de bateria e backings vocoderizados quase imperceptíveis no refrão. Palavras de Ben: "Nós gastamos dez meses somente mixando o álbum, que é um processo que normalmente leva duas semanas. Temos de fazer o álbum que queremos fazer. E nós fizemos." Muito bom constatar que o trabalho valeu a pena.
Aliás, há uma tiragem inicial limitada de Illumination que inclui um disco extra com dez remixes. Os destaques da sessão bisturi vão para duas boas versões houseadas de "Moon Theory" ("Punks Jump Up Remix" e "Sam La More Remix"), Fred Falke dando uma polida em "Make You Mine" (faixa do EP Bravado) e o Treasure Fingers substituindo os sintetizadores de "Don't Be On With Her" (que na versão original copiavam na cara dura os teclados de "When Doves Cry" do Prince). O resto saiu da plástica com cara de Donatella Versace (sic).
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Miami Horror
30.3.11
O que você esperava do Vaccines?
Foi lançado ontem no Reino Unido (e na internet para o mundo todo) “What Did You Expect from The Vaccines?”, álbum de estréia de nome sugestivo do Vaccines, grupo liderado por Justin Young e que tem sido o papo de 10 em cada 10 indies na Inglaterra nas últimas semanas. “What Did You…” já nasceu grande, pois conta com pelo menos quatro sucessos radiofônicos que funcionaram como um chamariz do álbum e aguçou a curiosidade da inglesada em torno do álbum.
O jornalista Paulo Terron entrevistou Justin Young para a Rolling Stone brasileira em sua edição de março. Terron aborda o fato de a imprensa inglesa apostar no Vaccines como um dos grandes nomes do ano na música. “É um peso, mas também é muito enobrecedor (…) O hype é algo curioso, que se autoconsome: primeiro te enchem de hipérboles e, pouco tempo depois, debatem sobre o fato de você merecer tudo aquilo. Mas acho que tem muita gente que nos considera bons, independentemente do que escrevem sobre nós”, disse Young.
Vaccines foi uma das principais atrações entre as milhares do South By Southwest, o festival que prende a atenção do mundo indie todos os anos, em Austin. A banda do pequeno gênio Justin Young fez um pocket-show no meio da rua para a AOL, em parceria com a revista Spinner. A apresentação nem fazia parte da programação “oficial” do evento.
As favoritas da PITADA são “If You Wanna” e “Blow It Up”, que desponta fácil como possível hino indie de 2011. I-M-P-E-R-D-Í-V-E-L-!
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Vaccines
26.3.11
O instigante Jards Macalé.
Jards Anet da Silva, ou Macalé, é um dos artistas mais instigantes da música brasileira. Compositor e instrumentista refinado, se divide em atividades múltiplas; uma delas é o ofício delicado (em tempos espinhosos, de interesses ligeiros) da amizade. Os amigos o adoram, a ele estão sempre rendendo homenagens e distribuindo elogios.
Aniversariante de março, nasceu num dia 3, no ano de 1943, nas imediações do Morro da Formiga, no bairro da Tijuca – mais carioca, portanto, impossível -, filho de pai e mãe que tocavam acordeom e piano. Começou a respirar música muito cedo, que sorte, e jamais se afastou dos acordes dissonantes da rebeldia tropicalista. Cidadão do Rio de Janeiro, do mundo (viveu bom tempo na Europa, quando tocou e cantou, entre outros, com Caetano e Gil) e de Penedo (refúgio onde Macalé volta e meia vai buscar sossego e inspiração), ele sempre soube o que é vida de artista: nunca buscou moleza.
Jards Macalé começou a mostrar serviço em meados dos anos 1960, como violonista do Grupo Opinião. Estudioso e atento, fez direção de espetáculos musicais de divas como Maria Bethânia, teve a obra (construída em parceria com poetas do seu peito, como Torquato Neto, Wally Salomão e José Carlos Capinam) gravada por feras do porte de Paulinho da Viola, Elisete Cardoso e Gal Costa (quem não conhece, na voz da doce baiana, os versos de “Vapor barato”?). Arrepiou cabelos e chamou a atenção de público e de críticos em 1969, quando participou do 4º Festival Internacional da Canção – apresentando “Gotham City”. Nesse mesmo ano, lançou o seu primeiro álbum “Só morto”, antes de fazer as malas para Londres.
Volta e meia pica a mula, mas volta e meia está de volta. Para a nossa alegria. Salve todas as melodias, e salve, sempre, a simpatia de Jards Macalé!
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Jards Macalé
18.3.11
Isso é revolução!

Levando os fab four para um lado jazzístico, o grupo recria com maestria clássicos como Taxman, Come Together, Blackbird, Get Back, Help! e também faixas menos populares (se isso é possível na obra dos Beatles) como Why Don't We Do It In The Road? e Being For The Benefit of Mr. Kite. O Tok Tok Tok já havia gravado faixas dos Beatles em outros discos de sua carreira, mas este é um disco todo dedicado. Na verdade quase todo, não fosse pelo fato de que o disco termina com Working Day and Night, tema de Michael Jackson de 1979.
Regravar mais uma vez Beatles e fazer algo que valha a pena escutar: isso sim é revolução!
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Tok Tok Tok
12.3.11
A plácida destruição de Moby.

Nosso carequinha favorito Moby anunciou semana passada em seu blog que o seu próximo disco se chamará “destroyed”, e deve ser lançado em meados de maio deste ano. “Musicalmente, ele é muito melódico, atmosférico e eletrônico, e se eu tivesse de descrevê-lo melhor, diria que é um tipo de música feita para ser ouvida em cidades vazias, às duas da manhã”, disse Moby no blog, acrescentando que o gravou à base de velhos instrumentos eletrônicos comprados no site de leilões americano eBay, trabalhando em suas noites insones, em quartos de hotéis, geralmente começando a trabalhar às duas da manhã.
Sobre o porquê do nome “destroyed” (escrito em minúsculas mesmo), Moby disse que viu a palavra escrita certa vez num painel luminoso na parte de bagagens de um aeroporto que dizia: “As bagagens não recolhidas serão destruídas”. E esperou até que somente a palavra “destroyed” aparecesse para fotografá-lo. Junto com o disco, Moby lançará também um livro de fotografias, ressaltando que, em tempos de fotos digitais, feitas por qualquer um em qualquer aparelho, ele fez as dele numa antiga Nikon F, com as imagens reveladas à moda antiga, com papel fotográfico e em quartos escuros.
Antes do álbum em si, Moby lançará um EP com três faixas, que poderá ser baixado gratuitamente. “Espero que gostem, porque ele será grátis e iniciará o novo site mobygratis.com, que sempre terá música gratuita para os fãs”. Também estarão disponíveis três vídeos para cada uma das faixas. Um deles, para a música “Sevastopol”, foi feito da última vez em que Moby esteve no Brasil, tocando com Carl Cox, em São Paulo. Realmente o Brasil está cada vez mais presente em todas!
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Moby
3.3.11
Devagar e sempre.
"ôô" - o nome é ótimo! - é a primeira faixa de trabalho do segundo disco de Marcelo Camelo. Os teasers vem sendo disponibilizados desde segunda-feira, 28, e dá pra sentir o clima vintage dos três aqui reunidos. A canção, na íntegra, tá prometida para cair na rede hoje. O disco mesmo - ainda sem nome divulgado - só em abril. Não é o Radiohead mas já causou frisson!
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Marcelo Camelo
1.3.11
Sujo de areia
Ele é o rei... da bebedeira, das drogas, do sol e das praias californianas pródigas em sons garageiros com o rock na veia! O clipe oficial de "King of The Beach" é o perfeito retrato do lifestyle do Wavves e, principalmente, do vocalista Natham Willians que já protagonizou alguns porres homéricos e misturas explosivas de drogas prejudicando até apresentações da banda. Este filme Amy de ser já conhecemos bem. Cada um cuida do seu. O que não dá é pra deixar esta pegada contagiante escorrer como areia entre os dedos. Salve o rei!
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Wavves
Gal a todo o vapor

Vem coisa boa por aí! Ao menos a torcida é enorme para que Gal Costa retome seu legítimo lugar de destaque na música brasileira. Pelos indícios, o novo disco já desperta curiosidade. O repertório será todo inédito e composto pelo irmão Caetano que assina, juntamente com o filho Moreno, a produção do disco. Não bastasse a comemorada participação da Banda Cê (Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado), um dos pilares do rejuvenescimento e novo vigor musical de Caetano, a produção vai contar com os experimentalismos instrumentais dos cariocas do Rabotnik e o onipresente Kassin, o mago da simplicidade necessária. Vaaaaiiiiii Gal!
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Gal Costa
28.2.11
Complexo de Gabriela
Ela nasceu assim, a polêmica materializada em pessoa? Ou foi criada por todos os "meios" para se tornar única? O fato é que Lady Gaga é necessária para o mundo contemporâneo egoísta, midiático e pop. Se veio do berço, como a canção indica, pouco importa. A verdade está no fato de que o mundo popstar americano necessitava de uma persona na indústria da música à altura das estrelas do seu poderoso conglomerado cinematográfico. Se o vácuo existia desde o auge de Michael e Madonna, e quase chegou lá novamente com Britney e Beyoncé - esta com mais louvor, inclusive musical - Gaga chegou e parece não querer largar o posto de jeito nenhum. Com a bela produção de "Born This Way" em imagens ora futuristas, ora retrôs, e a figura por vezes assustadora da diva, Gaga dá o recado: o trono está ocupado!
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Lady Gaga
20.2.11
Uhuuu! Cidadão Instigado vem aí!
“Abram as portas das suas casas, deixem os ladrões entrarem, eles vão tentar levar tudo o que puderem”, instiga, literalmente, Fernando Catatau, cabeça pensante do Cidadão Instigado, em “O Nada”, faixa que abre de forma envolvente e filosófica o terceiro álbum de um dos grupos independentes brasileiros mais celebrados da década “passada”. O álbum “Uhuuu!” (2009) parte da musicalidade do festejado “E o Método Túfo de Experiências” (2005) em direção a uma sonoridade mais direta e orgânica, sem deixar de lado as principais características do grupo: um caldeirão fervilhante movido a rock psicodélico e música brega. Cidadão Instigado soa como se Odair José integrasse por um fim de semana o Pink Floyd.
A beleza de “Como as Luzes”, com um tecladão espacial e letra comovente, a orgia instrumental da extensa “Escolher pra quê?” em seus quase sete minutos de duração, os solos de guitarra e timbragem retrô, o mix funk arrasador de “Doido” e suas batidas e teclados que lembram algo de Franz Ferdinand e trazem ao cabo Arnaldo Antunes declamando maluquices, a explosão espacial “A Radiação na Terra” soando como Caetano na fase “Araçá Azul” movido a guitarradas e a conclusão poética de “Deus É uma Viagem”. Entre a revolta solitária e a tristeza semi-hippie, Cidadão Instigado cravou outro álbum fenomenal.
Presença confirmada no Rock in Rio 2011, a banda subiu ao palco do Oi Novo Som durante o mega-festival SWU no ano passado em Itú, animando o público que lotava a tenda para assistir à apresentação de Fernando Catatau e companhia. Como uma das características do som plural da banda, sonoridades mais eletrônicas, com a referência oitentista dos teclados, se misturavam às guitarras do frontman e de Régis Damasceno. Ao final, o pedido de bis por parte do público – mas o retorno do grupo não aconteceu, devido aos horários organizados pela equipe do festival.
E a melhor notícia vem agora: sábado que vem (26), a Pitada apresenta a banda ao vivo e a cores no palco do Teatro Rival, pelo projeto Rival + Tarde. Dizer o quê? Uhuuu!
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Cidadão Instigado
19.2.11
Sonoraridades
Mais uma bola dentro do Nelsinho Motta na curadoria do projeto Sonoridades que ainda está a todo vapor com shows do Lucas Santtana, neste sábado, encerrando com Silvia Machete e convidados no próximo weekend. O vídeo acima - do caprichoso Bruno Maia/14prod, onde dou uma leve contribuição - apresenta a elevação de espírito que foi a estréia do projeto Seu Jorge & Almaz - que já rascunhamos aqui - no Brasil, no início de fevereiro. Música de primeira linha! O disco já se tornou um clássico desde o lançamento, em 2010, a época contando ainda com o trilheiro Antônio Pinto no baixo, que excursionou com a banda pela europa e Estados Unidos. No Brasil, Pinto deu lugar a Dengue e agora o projeto segue com Seu Jorge esculachando na interpretação de clássicos de diversas paragens com o peso de Pupilo e Lúcio Maia, isto é, o próprio Nação Zumbi! Dia 26 de março eles prometem uma apresentação inesquecível no Circo Voador. A lona vai ser pequena!
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Sonoridades
Ah, se todos os dias fossem assim...
O incauto repórter, fotógrafo e videomaker Ramon Moreira captou quatro petardos interinhos da anunciada despedida do LCD Soundsystem. Provavelmente, o público que lotou o Vivo Rio, na última quinta-feira, apreciou a derradeira apresentação de James Murphy e cia em palcos brasileiros e, quiçá, do mundo! Murphy andava meio ranzinza e constrangido com o fato de não ter mais idade para fazer shows de rock. São nessas horas que temos que tirar o chapéu para os ossos-duros-de-roer dos "velhinhos" dos Stones. Tem que ter mesmo muito tesão e energia pra seguir na estrada. Mas ao menos o LCD nos deixou, além do contagiante show no Rio de Janeiro, o excelente "This Is Happening" lançado ano passado.
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LCD Soundsystem
18.2.11
Ele é o rei!
Depois da notícia do Newspaper Album o clip de "Lotus Flower" tinha que constar aqui no nosso bloguinho musical. Tá lindão, PB contrastado e a dancinha desconcertante de Thom Yorke criam uma atmosfera que entra pro rol dos inesquecíveis e clássicos. O novo disco "The King of Limbs" (2011) já está na rede com três diferentes possibilidades de compra. Agora é degustar!
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Radiohead
15.2.11
Tá ligado?

Você curte caminhar, pedalar ou dar um rolezinho de skate ouvindo música mas já quase foi atropelado por conta de tanta empolgação? Pois então seus problemas acabaram! Foi lançada na App Store a versão atualizada do Awareness, aplicativo para iPhone, iPad e iPod Touch que permite ouvir músicas no fone de ouvido sem se desligar do mundo exterior. O aplicativo oferece diferentes ajustes como pausar a música quando um volume externo é muito alto ou ajustar um padrão máximo de volume a partir do som ambiente. A Essency, desenvolvedora do aplicativo, explica que este controle é possível com a ajuda do microfone do aparelho que capta os sons à sua volta e regula o volume do headphone automaticamente. A ideia é se certificar de que as pessoas que escutam música na rua estejam atentas a qualquer perigo ao seu redor, possibilitando ouvir avisos sonoros e de trânsito a tempo de agirem de modo correto. Mais uma maravilha da tecnologia.
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Awareness
14.2.11
Radiohead inventa mais uma: "Newspaper Album"

Depois de deixar que o público decidisse quanto iria pagar pelo disco "In Rainbows", de 2007, o Radiohead resolveu criar o conceito que chamaram de "Newspaper Album". Seja lá o que for, o pacote acompanha dois vinis, um CD, várias folhas de impressões e a versão digital para download. Um prato cheio para os fãs de carteirinha da banda de Thom Yorke. O interessante é que o disco começa a ser vendido agora, mas só será enviado em maio. Ou seja, provavelmente será o público que irá financiar a produção. Mas o download já poderá ser feito a partir de sábado, dia 19 de fevereiro.
O novo álbum "The King of Limbs" tem o nome baseado em uma árvore milenar da floresta de Savernake na Inglaterra.
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Radiohead
9.2.11
Strokes em doses homeopáticas

Depois de cinco anos sem lançar material novo, e muitos projetos paralelos depois, os nova iorquinos do Strokes começaram a anunciar novidades aos poucos.
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The Strokes
8.2.11
Bolo de bolo
Sete longos anos se passaram até que os californianos do Cake retornassem em grande estilo com sua cozinha musical em "Showroom of Compassion" (2011), sexto álbum de estúdio da banda. A música de entrada, acompanhada pela ótima animação dirigida por Owen Cook, retoma as letras politizadas, a postura sarcástica de John McCrea e sua peculiar maneira de balbuciar/cantar que estavam deixando os fãs pelo mundo - e daqui de casa - com muitas saudades. O vocalista e líder da banda assina todas as canções do novo disco com exceção de "What's Now Is Now", um cover de Frank Sinatra que entra pro roll de preciosas releituras ao longo da discografia do Cake como "Perhaps, Perhaps, Perhaps" e "I Will Survive" encaixadas em "Fashion Nugget" (1996) disco que se tornou o grande sucesso da banda e alargou suas fronteiras. Tomara que a turnê do novo disco inclua o Brasil. Estaremos na área do perdigoto!
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Cake
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