1.6.13
Encantos Mil
O nome é inspirador: Festival Encantado. E a inspiração vem da região chamada Vale do Encantado, incrustada entre as montanhas do Parque da Tijuca, no Alto da Boa Vista, que recebe pelo segundo ano consecutivo o festival reunindo artistas contemporaneos e músicos do Brasil e França.
Seu Jorge e o french rocker Matthieu Chedid foram os destaques de 2012 na maratona de shows que este ano tem como padrinho o atual midas da música brasileira, o rapper Criolo. A nova geração da música francesa estará representada pelo também rapper C. Sen e DJ Dax, o label ClekClek Boom com os DJs French Fries, Ministre X e The Boo, além de Jerome Pigeon, a.k.a. Gringo da Parada, o cara responsável pela criação do Favela Chic em Paris, ao lado de Rosane Mazzer, e mentor das excelentes coletâneas Postonove 1, 2 e 3 que ressuscitou inúmeros clássicos da MPB.
Entre os brasileiros, destaques ainda para a cantora Simone Mazzer, o grupo musical-performático paulista Voodoohop, liderado pelo DJ Thomash, e os projetos do designer Ygor Marotta: o duo performático VJ Suave e Cesi Soloaga com intervenções de artes plásticas e animação digital, e o movimento de intervenção urbana "Mais Amor Por Favor" que se espalhou pelas ruas de São Paulo clamando por um mundo mais harmonioso e menos violento.
Mas eu curti mesmo foi a exceção nesta conexão Brasil-França: o mitológico grupo feminino E.S.G.. Nascido no Bronx, Nova Iorque, no início dos anos 80, o grupo das irmãs Scroggins serviu de referência para uma enormidade de artistas do hip hop, post-punk, disco e dance-punk que viriam a surgir combinando de diferentes maneiras suas poderosas e simples batidas recheadas de muito groove e alguns vocais no estilo rap. Músicos e bandas como TLC, Wu-Tang Clan, Beastie Boys, Tricky, Jay-Dee e até o rock do Liars extraiu inúmeros samples das criações do E.S.G. que, inclusive, após alguns anos de recesso, lançou em 1992 o EP “Sample Credits Don't Pay Our Bills” cujo título fala diretamente das composições de outros artistas baseadas em trechos das músicas delas.
Recomendo ouvir a coletânea “Dance To The Best Of ESG”, lançada em 2010, para sentir o poder destas mulheres que desafiaram a realidade pobre e violenta da região sul do Bronx e que, pela primeira vez, se apresentam em palcos brasileiros. Para acompanhar, sugiro beliscar um dos pratos da original gastronomia agroflorestal desenvolvida pela comunidade do Vale do Encantado como o jacalhau, pastel de taioba, geléia de chuchu com pimenta rosa e os sucos de couve com maracujá e chuchu com hortelã. Vai na fé, abra a boca e o coração para se deliciar com os quitutes, a boa música e a linda vista da praia da Barra da Tijuca.
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E.S.G.,
Festival Encantado,
RIOetc Musical
25.5.13
Pop vestido de bolinha
O vídeo de “I Could’ve Been Your Girl”, lançado esta semana, sintetiza o trabalho do duo She & Him durante sua trajetória até chegar a “Volume 3”, o quarto álbum do casal M. Ward e Zooey Deschanel, a atriz de doces e cintilantes olhos azuis. A máquina do tempo de She & Him nos leva aos anos 60 para curtir o piquinique com toalhas quadriculadas, cestos de palha e a brisa marítima da surf music. Os ecos de Brian Wilson e os Beach Boys são percebidos na primeira audição deste single que é encorpado corretamente pelos arranjos de cordas por trás da voz de contralto de Zooey.
E como está belo o timbre dela. Pinçando o Volume 1, de cinco anos atrás, é fácil perceber como amadureceu a interpretação de Zooey, que também compõe em quase todas as canções do disco. Composições que falam, invariavelmente, de amor, mas sem recorrer a pieguices e dramalhões emocionais. Zooey discursa com propriedade de quem viveu uma separação recente e nada amigável que permeou todo o período de preparação para Volume 3. O título para “Never Wanted Your Love” talvez seja uma indicação de tais tempos difíceis e amargurados.
Entre composições de Zooey, como “Somebody Sweet to Talk To”, “Snow Queen” e o soft rock “I’ve Got Your Number, Son” há também covers inspirados do repertório da cantora e compositora norte-americana Ellie Greenwich (1940 – 2009) em “Baby”, do Blondie com “Sunday Girl” embutida no disco Parallel Lines (1978) e “Hold Me, Thrill Me, Kiss Me”, de bastante sucesso, em 1965, na voz do cantor norte-americano Mel Carter. Aliás, esta última cai como uma luva para celebrações de casamento de estética vintage.
Para Ward e Deschanel a colaboração conjunta sob o codinome She & Him não é prioridade em suas carreiras. Zooey segue em alta como protagonista da série de TV “New Girl” que já lhe renderam duas indicações ao Globo de Ouro. Já Matthew Ward continua trilhando sua estável carreira de oito álbuns solos e colaborações em projetos paralelos. Não há planos para uma turnê mundial mas faço fé que em poucos meses o duo desembarque no Brasil para um show, quem sabe, no Circo Voador, através de uma campanha bem sucedida do Queremos e seus cariocas empolgados. Cruzem os dedos!
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She & Him
20.5.13
Monotemático
O título é uma brincadeira ácida comigo mesmo que estava relutante em falar dela, a moça da semana. Ou seria da anterior? E… da anterior também?! O nome dela é Clarice Falcão. Explico que minha relutância vinha simplesmente da ideia de não falar da mesma coisa que todo mundo tem falado everywhere (rádio, TV, blogs, jornais e aqui mesmo no RIOetc) quando o assunto é música – ah, perdão, tem também o novo disco do Daft Punk que não sai da boca, ou melhor, dos ouvidos do povo!
Mas assumo que foi inevitável falar de Clarice. Seu primeiro disco “Monomania” é arrebatador: doce, delicado, colorido, divertido e um quê ácido, assim como eu estava sendo comigo mesmo. E falando em acidez, vem ela dizer “e se eu mostrasse o cianureto que eu comprei pra gente se matar, você manda me prender no amanhecer”, na fugitiva canção “Macaé” embalada em ótimo arranjo de cordas.
Não tenho aquelas maravilhosas bolas de cristal, mas acredito que Clarice veio pra ficar. É inegável o talento dela em diferentes frentes seja como escritora, atriz, roteirista e agora compositora. E refletindo sobre o que ouvi, vi e li sobre Falcão, a música parece que esteve sempre com ela, naturalmente. Tão natural que ela já revelou ter aprendido violão sozinha somente para se acompanhar e compor. Aliás, todas as músicas de “Monomania” são de Clarice, que fez questão de mergulhar sozinha no seu mundo de palavras.
Palavras que descrevem o roteiro de um filme de amor que talvez não tenha final feliz em “Fred Astaire” com um pianinho adorável, em clima meio Charleston. E o amor permeia todas as composições, ora desvairado e louco como o companheiro de Clarice em “De Todos os Loucos do Mundo”, ou no diálogo apaixonado e, ao mesmo tempo, acanhado no duelo entre ela e o cantor paulista Silva, a única participação em todo o disco, na faixa “Eu Me Lembro”.
Várias canções de “Monomania” ganharam mais corpo nos arranjos produzidos para o disco. “Uma Canção Sobre o Amor” deixou sua versão voz e violão de 2011 para dar lugar à “Oitavo Andar”, a mesma música só que renomeada e com a adição de violino, baixo e bateria ali mais pro fim. Tem ainda a valsinha “A Gente Voltou” com tuba e trompetes que praticamente finaliza o disco proclamando a “paz entre os povos” porque o casal de namorados voltou. Mas como nada no fantástico mundo de Clarice – parodiando a série original do namorado Gregório Duvivier – dá muito certo, o planeta corre sério risco quando ela deixa no ar: “mas e se a gente separa / se a gente para e se parará / para que se a gente para / o mundo acabou”. Fim.
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11.5.13
Eles querem… E nós também!
“Parace que foi ontem, mas já faz tanto tempo…”. O trecho inicial da canção de Itamar Assumpção encartada no disco Intercontinental, de 1988, dá uma boa medida de como parece recente, e ao mesmo tempo já distante, a última apresentação do Nouvelle Vague, no Rio de Janeiro.
Há oito meses, o grupo francês apresentou, sob a lona do Circo Voador, o musical "Dawn Of Innocence" concebido pelo estilista Jean-Charles de Castelbajac e inspirado no livro “A história do olho”, de Georges Bataille, (um conto erótico recheado de perversões, lançado em 1928).
O luxuoso espetáculo reunia 18 músicas do repertório do Nouvelle dentro de uma atmosfera soturna e erótica, com os dois pés no burlesco, utilizando-se de figurinos em cores extremamente vívidas que são uma marca de Castelbajac conhecido por sua estética pop e colorida - vide o vestido de sapos de pelúcia que causou tanto alvoroço no corpo de Lady Gaga.
A data do próximo show, em setembro, é parte de mais uma campanha do bem sucedido projeto Queremos que deseja concretizar apresentações inéditas do Nouvelle Vague nas cidades de Curitiba e Fortaleza e também no excelente palco do Imperator, no Rio, sempre com a ajuda e divulgação dos “empolgados”.
Desta vez, a banda deve trazer um show um pouco mais intimista, em formato acústico e bossa-novista, que serve perfeitamente à estética que o Nouvelle arquitetou em quase dez anos de estrada interpretando clássicos do new wave e do punk rock de bandas como Clash, Blondie, Joy Division e Depeche Mode.
Mas até lá algumas novidades podem surgir. Marc Collin, um dos criadores do grupo, sinalizou na sua última passagem pelo Brasil que o Nouvelle quer se reiventar num novo trabalho interpretando “covers de si mesmo”. Vai saber o que isto quer dizer… O que se pode imaginar é que o disco, com previsão de lançamento para os próximos meses, deve seguir o tom noir, elegante e sensual que é a marca inconfundível do Nouvelle Vague.
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4.5.13
Invasão francesa
Nos próximos meses, o Brasil é destaque mais uma vez em Paris. O tradicional Le Bon Marché comercializa inúmeros produtos brasileiros e de diferentes segmentos (moda, beleza, decoração, design e gastronomia) no evento “Le Brésil sur La Rive Gauche”. Isto sem falar na adoração pela nossa música, que vai de Nação Zumbi e Lucas Santtana aos tarimbados Lenine, Seu Jorge e Marisa Monte.
Por outro lado, o mundo observa uma crescente e criativa produção musical francesa que vem fazendo a diferença. Daft Punk, Justice, Zaz, Camille, Phoenix, Ben l’Oncle Soul e o mais rico deles, o estouradíssimo David Guetta, são alguns dos destaques.
Fora do mainstream, chamo atenção para o trabalho de Jean-Christophe Le Saoût, nome de batismo do DJ, rapper e produtor Wax Tailor. Com vários EPs e quatro discos na bagagem, Tailor chega ao Brasil este mês para duas apresentações dentro da programação oficial da Virada Cultural Paulistana 2013.
Após o début com “Tales of the Forgotten Melodies”, de 2005, que teve boa repercussão na Europa e Estados Unidos, Tailor apresentou, ano passado, a obra conceitual “Dusty Rainbow from the Dark” que começa a ganhar mais destaque com a veiculação da animação do estúdio parisiense Kippik para a faixa título “Dusty Rainbow”, com a bela Charlotte Savary nos vocais.
O disco repleto de participações – Sara Genn, Mattic, A.S.M, Ali Harter, Elzhi, Jennifer Charles, Shana Halligan – conta uma história musical inspirada num sombrio imaginário infantil, cujo personagem está na capa e foi desenhado pela renomada cartunista Rebecca Dautremer. As canções – com destaque para “Time to Go” na voz do soulman americano Aloe Blacc – são conectadas pela narração grave e de tom soturno do ator britânico Don McCorkindale, que lembra bastante a interpretação de Vincent Price em “Thriller”, de Michael Jackson.
Frases como “O arco-íris é um caminho / que leva da escuridão para a luz / e do claro ao escuro / ela leva a sua imaginação / se você abrir sua mente, você vai encontrar o seu arco-íris empoeirado da escuridão.”, sugerem o clima sombrio do ótimo disco de Wax Tailor. Vale ouvir também o CD nº2, somente com faixas instrumentais, para viajar ainda mais profundamente.
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Wax Tailor
1.5.13
Outono de brisa
Que o verão é a cara do Rio ninguém duvida. Mas entre os da gema há muitos apreciadores das temperaturas mais amenas que o outono traz semanas após o fervilhante carnaval, e até mesmo os que amam o rigoroso inverno carioca, que vem a seguir com seus “tenebrosos” 15ºC em noites mais congelantes!
Para acompanhar este clima mais suave e a bela luz dourada de maio, que faz a alegria dos fotógrafos da cidade, a Rádio Pitada ganha um tempero mais leve e açucarado com música para curtir a brisa ou tomar vinho tinto com fondue.
Em toda a sequência, há novidades de discos recém-lançados e que já foram títulos de colunas anteriores, caso de “Vai e Volta”, de Andreia Dias, e “Que Delícia”, por Karol Conka. E tem mais fornadas nacionais quentinhas, como “Roupa Suja”, do disco É O Que Temos, de Bárbara Eugênia, que na canção tem a companhia do paulistano Pélico, e “Trouble”, single do cantor e compositor americano José James que ganhou o excelente tempero do mestre dos remixes elegantes, o amigo e DJ Lucio K, que atualmente reside nos States.
Ainda no quesito “novidades sonoras”, você vai curtir “June” do excelente primeiro disco dos irmãos fashion do Wild Belle, “San Francisco”, do duo californiano Foxygen, que canta a desilusão do amor deixado para trás em L.A., e “The Good Good” do rapper Snoop Dog que, aqui, ataca de ragga man na parceria com a cantora polonesa Iza, e que reencarnou como Snoop Lion.
O clima segue com a banda Mão de Oito, que teve a participação dos rappers Kamau e Emicida na faixa “Beats”, levadinha de violões bem astral que contrasta com a viagem country rock do Edward Sharpe & The Magnetic Zeros em “I Don’t Wanna Pray”, e um twist da musa Brigitte Bardot para “Ça pourrait changer”.
Pra fechar, um remix super indie do RAC (aka André Allen Anjos) para “Hollywood (featuring Penguin Prison)” e “Calor do Amor” single encartado no ótimo EP do Mahmundi, que na prática é a cantora e compositora carioca Marcela Vale – uma simpatia! – e que ainda ganha um reforço dos amigos Felipe Vellozo e Lucas de Paiva.
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Rádio Pitada
15.4.13
Síncope no contexto
Batuque, muito batuque, “Batuk Freak”! Muito apropriado o nome do primeiro long play da rapper curitibana Karol Conka, reconhecidamente a grande sensação do hip hop feminino no Brasil.
Sem abandonar as raízes – a começar pelo fato de permanecer na cidade natal e evitar o êxodo, como de muitos músicos, para Rio ou São Paulo – Karol conseguiu a alquimia de misturar as referências da música eletrônica mais atual, como a trap music e a síncope que alicerça a música brasileira em diferentes estilos, para burilar composições que a aproximam do pop mundial. Méritos de todas as suas composições como “Que Delícia” e da mão do produtor Nave, responsável por algumas faixas de Marcelo D2 e Emicida, que integrou samples e instrumentos tradicionais de forma orgânica.
O resultado é um disco dançante sem deixar de lado a verve crítica tão comum ao universo hip hop. Difícil pinçar a faixa mais representativa entre pedradas sonoras como “Gueto Ao Luxo”, com início eletrizante de timbaus recortados digitalmente, “Vô Lá” com um sample de emboladeiros que serve de cuíca, ao fundo, emendando no pife que dá start para “Gandaia” que exala sensualidade.
“Sandália” condensa a matriz afrobrasileira na mistura de reggae com o berimbau e uma leve quebrada dancehall. “Olhe-se” tem a pegada heavy dos rappers americanos com a participação masculina do Mc gaúcho Tuty. Os destaques finais ficam para “Boa Noite”, cujo clipe ano passado confirmou o prêmio “Aposta” do VMB 2011 e “Caxambu”, sucesso na voz de Almir Guineto que ganhou uma roupagem completamente dissociada do partido alto de estrondoso sucesso em 1986.
Após abrir o show de Criolo, em sua passagem recente pelo Circo Voador, e de levar pela primeira vez, em 40 anos, um show de rap para o palco do tradicional Teatro Paiol, em Curitiba, Karol já ganha a atenção da mídia especializada internacional que vislumbra na sua mistura de ritmos o mesmo impacto que a singalesa M.I.A. provocou com seu disco “Kala”, de 2007.
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Karol Conka
8.4.13
Caravana Rolidei
No filme “Bye Bye Brasil” (1979), dirigido por Cacá Diegues, os artistas mambembes Salomé, Lorde Cigano e Andorinha percorrem alguns rincões do nosso país com a trupe Caravana Rolidei numa espécie de osmose cultural pré-globalização.
O trocadilho de férias não pode ser atribuído da mesma forma ao período em que a cantora paulista Andreia Dias colocou a mochila nas costas e foi conhecer o seu Brasil. Com escassez de músicos para trabalhar nos disputados centros de São Paulo e Rio de Janeiro, Andreia foi em busca de novas parcerias e trocas musicais. Após um ano e meio de estrada, o resultado desta road trip pode ser conferido em “Pelos Trópicos”, o sétimo disco da cantora lançado em janeiro.
Desrespeitando a “Triologia da Minha Cabeça” em que composições mais densas e solitárias já deram origem aos discos Vol.1 (2008) e Vol.2 (2010), Andreia Dias revela a profusão e pluralidade musicais existentes em algumas capitais brasileiras. Mas apesar de inúmeras parcerias e diferentes formas de produção bancadas com o aluguel do apartamento dela na capital paulista, “Pelos Trópicos” dá liga na diversidade que Andreia costura tão bem e que não distoa de seus trabalhos anteriores. O timbre, o jeito doce e a interpretação natural de Andreia continuam lá de forma marcante e inconfundível.
A viagem começou por Belém à convite de uma prima. Lá, Andreia se apaixonou pelo guitarrista Léo Chermont e juntos compuseram “Feliz e Mareado” e “Beijin na Nuca”, carimbó interpretado na cia de Felipe Cordeiro, um dos expoentes da efervescente cena musical do Pará. Na sequência, o encontro com a dupla Criolina, em São Luís, para “Brisa Tropicana”, composta e gravada num único dia, e o reggae “ Vai e Volta”, que abre o disco, com a banda Cabruêra, em Maceió.
Ainda no nordeste, a rabeca recifense de Zé Cafofinho (Luva Pele), o dueto The Baggios, em Sergipe (Aquilo), os potiguares do Talma&Gadelha (Terra do Nunca) e a guitarra do Baiana System (Pelos Trópicos) gravada em Salvador. O projeto ainda teve um tempo de gestação nas ladeiras de Santa Teresa, no Rio, onde Andreia Dias ficou hospedada na casa da amiga Thalma de Freitas que colabora em “Corpo e Mente”. Dali também saiu a marchinha “Xuxu Beleza” na cia da banda Do Amor, produzida pela cantora conterrânea Cibelle que também se abrigava na casa de Thalma, fonte do projeto Miradouro.
O roteiro musical de doze composições em dez estados pode ser baixado gratuitamente no site do bandcamp. E Andreia ainda promote um número dois percorrendo outras capitais brasileiras!
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Andreia Dias,
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22.3.13
Meus pêsames
A semana começou com a triste notícia da morte do cantor Emílio Santiago, um dos maiores intérpretes brasileiros. Seu primeiro disco, de 1975, é uma pérola da MPB com canções de João Donato, Jorge Benjor, Marcos Valle e Nelson Cavaquinho.
E com pesar vim saber tardiamente do “falecimento” de uma banda de Curitiba que desde o seu início despertou interesse da crítica e de quem curte folk music. O Rosie and Me pendurou guitarras e baquetas finalizando os trabalhos no fim de 2012, justo o ano em que lançaram o primeiro e único álbum completo intitulado “Arrow of My Ways”. Antes, a banda tinha somente cinco músicas encartadas no EP “Bird and Whale”, de 2010, com uma singela e belíssima arte de capa (os discos podem ser baixados gratuitamente no site da banda).
As canções escritas em inglês – fator que costuma não me agradar em bandas nacionais – encaixam-se perfeitamente na levadinha pop-folk do Rosie e na voz doce de Rosanne Machado, que justifica a preferência pela língua estrangeira por ter vivido e estudado nos Estados Unidos. “Arrow of My Ways” foi totalmente produzido e gravado pela multi-instrumentista Rosanne num dos cômodos da sua casa, em Curitiba, o que é mais um bônus para o resultado final do álbum.
Apesar de ser um disco bem deprê e “cinzento”, Rosie and Me soa, ao mesmo tempo, terno e doce em canções como “Southern Home” e “Light You Up”. O compositor e guitarrista inglês Joshua Thomas participa como convidado nas duas músicas que abrem o disco, “Home” e “Where the Heart Is”.
Antes do fim, Rosie and Me ainda soltou uma versão country para a contangiante “Ready For The Floor”, devidamente autorizada pelos britânicos do Hot Chip, que pode ser conferida na página do Rosie no Soundcloud. E como quem vai embora deixando saudades, a banda lançou um clipe despedida para “I Couldn't Reach You” que você confere ali em cima.
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Rosie and Me
19.3.13
Efeito Denorex: parece, mas não é!
Sei que as linhas logo seguem aqui mas, por favor, não leia ainda esta pequena resenha. Espere e vá ao link acima escutar um pouco e depois volte. Posso adiantar uma coisa: não é a Sade! Timbre doce, suave e muito delicado. Pois trata-se de um homem cantando. Isto nem é tão surpreendente dado outros exemplos na história musical. Pra ficar somente em figuras locais, citaria Edson Cordeiro ou, mesmo, Ney Matogrosso. Mas a voz em questão é do produtor, instrumentista e cantor canadense Mike Milosh.
Milosh, que tem formação clássica e assina trabalhos em bases mais eletrônicas, encontrou o dinamarquês Robin Hannibal após ser contratado para fazer um remix do duo Quadron, trabalho em conjunto da cantora Coco Maja Hastrup com o próprio Hannibal. Em entrevista ao site Pitchfork, Milosh conta que não queria simplesmente fazer um remix e tomou a liberdade de colocar a própria voz em cima da música do Quadron. O resultado deu liga e Milosh e Hannibal resolveram se encontrar e trabalhar juntos sob o nome de Rhye.
O resultado é “Woman”, disco que acaba de ser lançado e que é – como o próprio nome indica – profundamente feminino. A abertura é com “Open”, cujo clipe sintetiza a feminilidade presente em toda esta produção. Veja abaixo se eu, homem, não estou exagerando. Aliás, o conteúdo é tratado pelo YouTube, exageradamente, como “inapropriado para alguns usuários”.
E assim a leveza segue em canções tênues como “The Fall”, “Verse”, “Major Minor Love” e a própria “Woman”. A lembrança de Sade fica mais evidente na base e interpretação que Milosh e Hannibal imprimem em “Last Dance”. “Shed Some Blood” nos joga para os anos 90 em que a cantora nigeriana reinava absoluta no dial das frequências de soft music.
Porém a formação clássica de Milosh, que estudou violoncelo a partir dos três anos de idade e é um apaixonado por jazz, imprimem muita elegância nas batidas suaves misturadas a violinos, pianos e harpas. Sexy feeling!
E falando do trabalho de Hannibal, vale buscar o resultado sonoro do duo Quadron no Soundcloud, uma pegada mais soul com bases eletrônicas.
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9.3.13
Águas de março
O carnaval já passou faz tempo e deixou confetes, serpentinas e alguns corações partidos pelo caminho da folia. E, mais do que habitual, março está em pauta com suas históricas e poderosas águas para lavar a alma e abrir caminhos definitivos para o ano que enfim começa. É hora então de uma refrescada na Rádio RIOetc, que leva assinatura da Pitada. O desafio aqui é equilibrar as influências do nosso Brasil continental com a usina criativa que emana de diferentes cantos do planeta. E pra fazer jus a esta engenhosa mistura, começamos com os irmãos Supla e João Suplicy, que assinam Brothers of Brazil e cantam em inglês. A dupla amadureceu seu repertório e traz “On My Way” como carro chefe de seu terceiro disco. Em “A Ordem das Árvores”, da Tulipa Ruiz, a novidade fica para a gravação ao vivo do projeto Ray-Ban Meet the Legends, que a aproximou da lenda Jorge Mautner.
Em seguida, Otto com uma das boas de The Moon 1111, álbum lançado ano passado, que passa o bastão para a dupla Wild Belle com “It’s Too Late”, encartada no disco Isles, que chega às prateleiras na próxima semana. A baiana Márcia Castro embala com a clássica “Preta Pretinha”, dos Novos Baianos e Harper Simon, filho de Paul Simon, chega com o sweet folk “Wishes and Stars”, parte da trilha da série produzida pela HBO, “Girls”. Continuando com o grupo carioca Mohandas, que faz homenagem ao carimbó paraense, a bela Kate Earl e seu pop rock em “Not the End of the World”, e o Afrobombas, projeto paralelo de Jorge DuPeixe (Nação Zumbi) com “Do Sal e Sol Eu Sou”, que conta entre os integrantes com Ramon Lira, filho do próprio Jorge, e Louise Taynã, filha do precursor Chico Science.
Ainda tem os californianos Electric Guest somados à dupla Pomplamoose num “mashup” do grande sucesso “Somebody That I Used To Know”, do Gotye, Two Door Cinema Club e The Asteroids Galaxy Tour, acompanhados do talentosíssimo Silva, da incursão da atriz e escritora Clarice Falcão pela música em “Oitavo Andar”, e Pedro Luís sem os companheiros da Parede.
Pra afastar os móveis da sala, Los Sebosos Postizos, projeto que une integrantes do Nação Zumbi com o Mundo Livre S.A. para interpretar clássicos do clássico Jorge Benjor, o electro swing do Parov Stelar e, fechando a tampa, os niteroienses da banda Tereza (que eu adoro!) com uma das ótimas canções encartadas no disco “Vem Ser Artista Aqui Fora”, de 2012.
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3.3.13
Cafeína lisérgica
No meio musical brasileiro, como também de forma mais generalizada, costuma-se dizer que prestamos pouca atenção ao que os nossos vizinhos latino-americanos produzem culturalmente. Por este nada honroso motivo, muitos de nós desconhecem completamente uma das bandas mais importantes e influentes de todo o continente, o Café Tacvba.
Após terem que modificar o nome original (o Café de Tacuba, restaurante tradicional da Cidade do México, processou a banda) que os acompanha desde o início, em 1989, assim como a formação original com os mesmos integrantes até hoje, o Tacvba vem inflar a lona do Circo Voador, esta semana, no Rio. Na bagagem, o novo disco com o sugestivo nome de “El Objeto Antes Llamado Disco”, uma referência direta às transformações da indústria fonográfica com a chegada das novas mídias.
E após um hiato de cinco anos para o álbum anterior, o Café Tacvba mostra que não parou no tempo e seguiu seu caminho singular transformando a sonoridade originalmente indie numa excelente mistura de folk, eletrônico, sintetizadores e, como sempre, as referências da música latina. “El Objeto Antes Llamado Disco” ratifica a longevidade do Tacvba com duas ótimas canções de entrada, “Pájaros” e “Andamios”. “Espuma” é uma balada doce e onírica acompanhada do blues rock “Aprovéchate”.
A voz anasalada de Rubén Albarran e a diversidade sonora do Café Tacvba estão marcadas na batida sintetizada de “Yo Busco” e na sequência de “Tan Mal” apoiada em guitarras distorcidas em que a temática recorrente são os problemas da vida diária e o envelhecimento, além de citações sobre a violência urbana em que o México mergulhou por conta dos cartéis de drogas.
Vale muito ir ao Circo Voador, na próxima quinta-feira – que tem abertura dos brasilienses Móveis Coloniais de Acaju – e conferir in loco a excelente “Olita Del Altamar”, cujo lindo clipe, gravado na Reserva Nacional de Paracas, no Peru, está aqui acima para você.
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9.2.13
Confetes e serpentinas
Antes de algumas semanas de férias da coluna, curiosamente, escrevi sobre a trilha carnavalesca que acompanha as páginas de A Carioca. Eis que retorno quando a folia de Momo já está nas ruas do Rio há pelo menos duas semanas. Mas o quente, literalmente, são os quatro próximos dias, quando pessoas de vários cantos do país e do mundo se juntam aos animadíssimos foliões cariocas. Pra quem ainda não sintonizou as antenas no Carnaval, preparei uma nova programação para a Rádio RIOetc inspirada nos ritmos típicos desta época.
Foi impossível fugir de algumas canções já citadas aqui, seja por sua beleza ou pela atmosfera festiva, como composições de Antonia Adnet, Marina de La Riva, Tono e Márcia Castro. Mas pra começar tem “Baile Particumdum” do Partimpim Vol.2, de Adriana Calcanhotto, e a elegância de Thalma de Freitas na interpretação de “O Samba Taí”, composição de Seu Jorge e o amigo Sérgio Pell. A cultura da guitarra baiana é resgatada pelo BaianaSystem, projeto de Robertinho Barreto, em “Frevofoguete” e, logo depois, Gal Costa fervendo na clássica “Balancê”, escrita pelo saudoso Braguinha em cia de Alberto Ribeiro.
E falando em clássicos, Chico Buarque faz troça com as guerras em pleno carnaval com “Rio 42”, da Ópera do Malandro, seguido de Maria Rita em sua ode aos “Valores Do Passado”. O frevo volta com o resgate da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério (nome de um bairro na periferia de Recife) em “Frevando em Paris” e modernas leituras do ritmo pelas mãos da Orquestra Contemporânea de Olinda, em seu novo e ótimo disco “Pra Ficar”(2012) e Numismata na companhia de Maria Alcina em “A Vida Como Ela é”.
Romulo Fróes ressuscita São Paulo do túmulo do samba com a marchinha “O que todo mundo quer – Ninguém liga” e pra fechar dois sambas de avenida: “Fanfarra (Cabua-Le-Le)“, encartada no disco Brasileiro, de Sérgio Mendes, e “O Dia Em Que O Sol Declarou Seu Amor Pela Terra” uma lindíssima composição de Jorge Ben que você pode conferir no vídeo exibido em janeiro de 1982, no Fantástico, da TV Globo.
Tomara que o astro-rei venha abrilhantar e aquecer os nossos dias de folia porque ele anda devendo neste verão carioca!
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24.12.12
Quanto riso, quanta alegria!
Olha o Carnaval, aí, gente! Ok, os blocos e escolas de samba ainda devem dar passagem primeiro ao Papai Noel e suas renas e aos fogos do réveillon. Mas no Rio de Janeiro não é novidade que o carnaval é o ano inteiro. E pensando na folia que tanto caracteriza a alegria e a descontração do que é ser ou vivenciar o espírito do folião desta cidade é que o supertime do RIOetc me encomendou uma seleção musical para deixar os dias mais leves e divertidos para quem folheia A Carioca.
E pra começar devagar vamos acompanhar o “Carnavalzinho (Meu Carnaval)” de Antonia Adnet, com muita poesia e melodia somente num banquinho e violão. “Copacabana” e seus personagens ímpares estão reunidos na marchinha de Marcelo Camelo que tece loas à rotina simples e familiar dos senhores do Bairro Peixoto, à brisa e ao mar. A brincadeira continua na bela leitura de um dos mais contagiantes ritmos brasileiros em “Frevintcho” que a reunião sulamericana da turma do Songoro Cosongo conseguiu agrupar num tema puramente instrumental.
O inigualável humor carioca está sintetizado na faixa de “Dia de Carnaval”, do duo Letuce que traduz sarcasticamente uma desilusão amorosa em plena folia, fato comum e conhecido nos blocos e coretos carnavalescos da cidade. Mais “Frevo” na versão da baiana Márcia Castro em homenagem ao conterrâneo Tom Zé dono da canção que foi encartada no disco dele de 1972, Se o Caso é Chorar. Daí “Máscara Negra” na versão heavy-doce do Los Hermanos seguida da marchinha “O que todo mundo quer – Ninguém liga” belamente composta pelo paulista Romulo Fróes. Os clássicos “Yes, Nós Temos Bananas”, “Ta-Hi! (Pra Você Gostar De Mim)” e “O Samba Taí” respectivamente nas interpretações de Caetano Veloso, Marina de la Riva e Thalma de Freitas acompanhada da elegância de Wilson das Neves.
Na sequência, Tono e Céu+3 Na Massa fazem seu carnaval em arranjos mais moderninhos para “Sem Falsas Esperanças” e “Frevo De Saudade”. E pra terminar, a folia dos carioquíssimos da Orquestra Imperial, Pedro Luís e A Parede e a novidade dos dias de festa em 2012: a reunião do A.B.R.A. (Rubinho Jacobina, Cibelle, Thalma de Freitas entre outros) que entrou no espírito das marchinhas clássicas em “Marcha da Preparação” exigindo fôlego e força pra aguentar os quatro dias de folia e mais blocos na quarta-feira que já deixou de ser de cinzas há anos.
Então já é hora de tirar as fantasias do armário, deixar respirando ao sol, porque A Carioca quer ver todo mundo carnavalizando. E assim, me despeço da coluna e do ano de 2012 pra fazer a minha folia particular desejando muita alegria para o ano-novo. Saúde!
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17.12.12
Alô, criançada!
Nesta época do ano, com o Natal se aproximando, vivemos a correria, estresse e também a curtição de comprar e trocar presentes com os colegas de trabalho, amigos e família. As crianças inspiradas pelo mito do Papai Noel são as que vivem mais intensamente este período eufórico.
Mas criança eufórica e cheia de energia tem o ano todo, seja para aquele passeio no parque, no mergulho em tarde de sol quente ou na festinha do playground do melhor amigo. E pra deixar o encontro entre pais e filhos ainda mais colorido é que A Carioca pensou num capítulo musical pra divertir todos ao mesmo tempo.
Pra começar, um arranjo bem lúdico em “Anjo da Guarda” elaborado pelo trio Carlinhos, Marisa e Arnaldo em Os Tribalistas. A Renata Abranchs queria muito “Leãozinho”, e fui encontrar no Beirut para o CD Red Hot + Rio 2 a versão perfeita para o sucesso de Caetano. Daí quatro canções em sequência encartados em discos voltados para as crianças, mas que os adultos adoram: “Todos Estão Surdos”, versão do Pato Fu no disco Música de Brinquedo, o clássico “O Pato” em Partimpim Tlês, por Adriana Calcanhotto, Mart’nália comportada em “Batuque na cozinha”, composição do pai, e “Tum tum tum”, com Roberta Sá, do disco Forró pras Crianças.
Chicas, Bebel Gilberto e Andreia Dias estão aqui, canções de adultos em tom infantil e que agradam a qualquer coração. Marisa Monte aparece na versão de “Magamalabares”, de 2001, e Adriana Calcanhotto novamente cantando o clássico “Lindo Lago do Amor”, composição de Gonzaguinha. Do último disco, ÔôôÔô, Thaís Gulin traz “Ali sim, Alice” na companhia de Tom Zé – uma pequena homenagem para minha afilhada Alice.
Pra fechar, “Heads Up”, da trilha sonora do encantador “Where the Wild Things Are”, de Karen O e Harry Belafonte na clássica “The banana boat song (Day O)”, trilha do filme “Beatle Juice”, mas que nos meus arquivos também faz parte da trilha da Rádio Corsário – O som da galera Vamp. A molecada adorava as caretas de Vlad e seus vampiros…
Pra continuar se divertindo, procure o QR na A Carioca e solte as crianças no salão.
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10.12.12
Música pra pedalar
“Tem que correr, tem que suar…” O verão vem chegando. E a frase, retirada da clássica composição “Estrelar” de Marcos Valle, no ano de 1983, traduz bem o espírito do carioca que curte se exercitar à beira do mar, nos parques e praças, remando, correndo ou num leve caminhar ritmado para manter a cuca fresca, o corpo em forma e a alma leve. E a bicicleta é também uma ótima companheira neste ir e vir contemplativo das belezas da cidade enquanto contribuímos para aliviar um pouco o trânsito já tão caótico. A Carioca convida para curtir uma deliciosa seleção musical pra te ambientar neste agito corporal espontâneo que nos damos de presente diariamente e tornar a prática ainda mais prazerosa.
Eu falei da Céu há duas colunas, e ela volta aqui com a síntese carioquíssima em “Asfalto e Sal”, do lançamento deste ano de “Caravana Sereia Bloom” e a levadinha sexy/reggae que ela faz como nenhuma outra. Mantendo o tom e sentindo o vento bater no rosto, “Baby” com a junção de Alice Smith e Aloe Blacc encartada na segunda coletânea de Red Hot+Rio. O naipe reggae volta na sequência de “When I’m Sixty-Four”, dos Beatles, na versão dos nova iorquinos do Easy Star All-Stars com a cia de Sugar Minott e, logo depois, Mallu Magalhães em “Shine Yellow”. Vem o infalível Beirut em “Santa Fé” e a francesinha pop que eu adoro, Camélia Jordana, em “Mens Moi”. Aposto que as meninas vão empurrar o pedal com mais alegria depois da voz doce de Camélia e a não menos açucarada Sara Bareilles em “Gonna Get Over You”.
A nossa malemolência está de volta com a faixa “Eu e Você”, da mineira Regina Souza e o menino carioca Qinho pegando firme na guitarra em “O Tempo Soa” do disco homônimo produzido pela turma da Bolacha Discos, capitaneada por Bernardo Pauleira, que compôs e gravou a bateria de “Me Sara”, da banda Tono.
Tem ainda Nadeah em “Whatever Lovers Say”, que combina com a batidinha vintage dos americanos do Generationals em “When They Fight, They Fight”. E pra fechar a tampa colocando a magrela bem suada na garagem, a diva Nina Simone em “Ain’t Got No, I Got Life”, Metronomy em “Everything Goes My Way” e a surpreendente elegância do britânico Michael Kiwanuka que já foi tema da coluna uns meses atrás. Agora é só deixar a preguiça de lado, mirar no horizonte e se soltar de corpo e alma pra mais quente das estações da cidade mais fervilhante do planeta!
Pedale com vontade e aumente o volume!
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3.12.12
Dia de festa: a Carioca ama!
Se há uma coisa inegável é de que o carioca adora uma farra. Basta dar uma espiadinha no nosso carnaval, oficial e o de rua, para vivenciar a mais pura alegria. Mas a brincadeira não precisa ser séria como a folia de Momo que no fim acaba com qualquer um. Aquela reuniãozinha em casa regada a um bom papo recheado de amigos e muitos sorrisos é um prato cheio para a nossa alegria, que já não é pouca. Ainda que a coisa não caminhe para mais energia na pista sobre o tapete, a noite já está ganha!
E nesse espírito é que recebi o convite do RIOetc para trazer o clima musical perfeito para receber os amigos em casa antes que o vizinho de baixo reclame. A trilha está disponível no livro A Carioca – Guia de Estilo para viver a Cidade Maravilhosa, para você ouvir enquanto lê. Pra começar, um clássico de Jorge Ben, “Namorado da Viúva”, com todo o molejo inconfundível que ele emprestou ao violão e à nossa discografia com um dos melhores álbuns da história, o divisor de águas “A Tábua de Esmeralda”. A paulista Tulipa Ruiz vem em seguida com sua voz doce em uma singela canção sobre “A Ordem das Árvores”, do primeiro disco. A batida carioca fica ali representada pelas baquetas do excelente Duani, ex-Forróçacana.
Mais um clássico: “Baby, you can drive my car”, dos Beatles, na elegância de arranjo produzido por Ben Addison, um dos cabeças do acid jazz do Corduroy. Na sequência, duas conexões com Caetano Veloso: Céu cantando “Eclipse Oculto” numa batida meio synth (perfeita pro momento pista da festinha) colada em “Bogotá”, do Criolo, que arrebentou em 2012 cantando inclusive ao lado de Caê no VMB da MTV.
Cícero traz todo mundo de volta pro papo com a suavidade de “Tempo de Pipa”, encartada no seu primeiro disco, “Canções de Apartamento”. Perfeito pra mesclar com Kings Of Convenience pensando se dança em “I’d Rather Dance With You”. Mallu Magalhães vem mais madura em “Velha e Louca” e abre caminho pra turma de Curumin, Karina Buhr, Marcela Bellas e Bárbara Eugênia, que moram em São Paulo mas traduzem nosso espírito praiano muito bem. Destaque para a pista fervendo com “Constellations”, do Darwin Deez, que o Queremos trouxe pra lona do Circo Voador, em 2011, cheio de coreografias que divertiram o povo que compareceu em massa. E pra arrastar o sofá, feche com “Top Top”, do Mutantes, que não envelhece nunca!
Vai lá na Rádio GNT, onde estão hospedadas as trilhas d’A Carioca, chame os amigos e aperte o play!
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25.11.12
Mais carioca do que nunca
O RIOetc sempre sintonizou em suas fotos e histórias o melhor do espírito carioca. Tudo, e mais um pouco, está reunido agora nas páginas do livro “A Carioca – Guia de Estilo para viver a Cidade Maravilhosa”, lançado esta semana. Com muita elegância e bom humor, o casal 20 Renata Abranchs e Tiago Petrik faz um passeio delicioso por diferentes lugares e momentos que a cidade proporciona aos seus habitantes e visitantes.
Como colaborador, fui convidado a condensar a maneira leve, descontraída e única do carioca em algumas poucas músicas, reunidas em cinco playlists que podem ser acessadas através dos códigos QR impressos nas páginas do livro. Do encontro com o mar e os amigos na praia – uma extensão da casa de cada morador da cidade -, à doce rotina dos pais com seus filhos até chegar ao ótimo clima de uma festinha com muito bate-papo na sala de casa, que nós cariocas sabemos fazer como ninguém, as músicas ajudam a conduzir o leitor por esta atmosfera que a cidade exala. Assim vou relatar aqui como foi este trabalho a partir das músicas selecionadas para cada playlist.
E pra começar quente, vamos de praia e verão, a estação mais carioca de todas, com algumas canções para se ouvir com a maresia como companheira. E pra combinar, nada como o reggae, filho legítimo da maresia encontrada em todo o Caribe, principalmente na Jamaica, onde o gênero foi construído a partir da influência festeira e malemolente do calypso. E a cantora Céu deixa bem claro em todo o seu trabalho que adora o gênero que empurra “Cordão da Insônia” do disco Vagarosa, de 2009. Na sequência, uma das bandas mais bacanas nascidas na cidade, fruto da união de cariocas e alagoanos, o Fino Coletivo. “A Coisa Mais Linda Do Mundo” composta por Wado em 2001, reaparece numa roupagem mais balançante no disco “Copacabana”, do Fino, em 2010.
A seguir, o samba-rock em três diferentes tempos: o mestre Jorge Ben em “Berenice”, gravado em 1978, a popular “Vizinha”, do disco “Músicas Para Churrasco – Vol. 1”, de Seu Jorge, e “Morena Russa”, da banda carioca Do Amor. Daí fui buscar no baú uma canção que adoro de um disco que gosto mais ainda: “Olho De Peixe” cuja união de Lenine e Marcos Suzano nos presenteia com “O Úlltimo Pôr Do Sol”, perfeita para colocar no fone e apreciar da Pedra do Arpoador. Ainda tem Luísa Maita, Leo Cavalcanti, Pedro Luís e A Parede, Vanessa da Mata e Marcela Bellas com “Alto do Coqueirinho”, que a Renata ama! Caetano está la na regravação de “Nine Out of Ten”, de Mariana Aydar, Otto recebendo a mexicana Julieta Venegas em “Saudade” e a carioquíssima Thalma de Freitas em “Tranquilo”, composição de Kassin, um clássico! A exceção entre os nacionais ficou para “Tonight You Belong To Me” do encontro entre o cantor Eddie Vedder (Pearl Jam) e a californiana Janet Weiss, um pedido carinhoso da turma da redação do RIOetc.
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18.11.12
Costumo ouvir minhas amigas solteiras lamuriando-se de que há poucos homens no “mercado”. Ou de que quando estão disponíveis nada querem com a hora do Brasil. Então que tal não somente um, mas dois homens elegantes, gentis e muitíssimo interessantes? Nada mal, a não ser o fato de que não moram aqui e, literalmente, são definidos assim pelo nome que os une como banda: The Two Man Gentlemen Band.
E os caras são mesmo o fino e carregam toda a beleza do ouvir, vestir e flanar em tempos modernos porém vintage até a raiz do cabelo. The Two Man Gentlemen Band são o retrô estético – vide os ternos bem cortados – e a sonoridade empoeirada que remonta há tempos não vividos mas que são carregados na alegria das canções bem humoradas e no ritmo pulsante e alucinante do jazz e do swing.
Os dois senhores em questão, Andy Bean empunhando seu violão elétrico de quatro cordas e Fuller Condon no baixo vertical, remontam à época do swing que alimentou Dave e Deke, Big Sandy e outros da revitalização da Costa Oeste americana. Andy e Fuller são influenciados pelo jazz e a country music mas repletos de um humor bon vivant extremamente necessário aos nossos tempos de pressões cotidianas de todos os lados.
Com seis discos na bagagem desde o início em 2005, The Two Man Gentlemen Band lançou mais uma bolacha este ano, “Two At A Time”, utilizando-se do moderno modelo de financiamento colaborativo através do site Kickstarter. Porém o moderno foi até aí. A partir deste ponto toda a produção do disco foi submergida nos segredos de estúdio com gravação analógica em fita utilizando-se de microfones e outros equipamentos dos anos 40 e 50. Até mesmo a capa do disco foi confeccionada de forma artesanal e lembra muito os lançamentos de jazz dos anos 30.
O resultado é um som vibrante apimentado pela harmonia depurada em anos de estrada, o que acaba trazendo para o disco, e com enorme fidelidade, o resultado de suas apresentações ao vivo. Energia e humor contidas nas faixas de “Panama City Beach” e “Prescription Drugs”. Mas há espaço para respirar e até dançar coladinho em “Poolside”, “Tikka Masala” e “The Gentlemen’s Blue Drag”, que fecha o disco como faixa bônus.
11.11.12
Põe beleza nisso!
Prepare-se: se já não conhece, você vai esbarrar com algo delicioso. Nada de guloseimas, mas puro deleite visual e sonoro. E olha que tem algo de brasileiro nisto lá na raiz! Trata-se do duo de Chicago, terra do reeleito Obama, Wild Belle.
Os irmãos Elliot e Natalie Bergman – que é Belle até no sobrenome – cresceram entre diferentes ondas sonoras para desembocar no sensualismo tropical e pop de canções como “Backslider”, “It’s Too Late” and “Keep You”. As misturas são muitas: Tom Zé (entre os Top 10), Miles Davis, Fela Kuti e Pharaoh Sanders das orelhas parabólicas de Elliot fundidas com as influências de Aretha Franklin, Bob Marley e a também nossa Astrud Gilberto, que se apoderaram do corpinho mignon de Natalie ainda adolescente. Tem até os Novos Baianos, reunidos num galpão – provavelmente do tempo em que todos moravam juntos num sítio em Vargem Grande – em fotos publicadas no Tumblr da dupla.
O primeiro disco ainda nem saiu. Os poucos singles circulam pela web mas foram suficientes para que os irmãos fossem alavancados como os novos darlings, não somente do meio musical, mas também do mundo fashion. Vide o ensaio produzido para o site de moda e tendências Refinery29 exibindo a mistura do country com o estilo rocker-vintage dos irmãos Bergman, além do convite para tocarem ao vivo na chiquérrima Mulberry, em terras britânicas.
Voltando à música, o irmão Elliot é uma usina instrumental, toca praticamente tudo o que cai em seus braços: violino, sax, piano, kalimba elétrica, guitarra, clarineta. Natalie costuma dizer que inspira-se em Etta James e, principalmente, Astrud Gilberto para emitir sua voz sex killer e ao mesmo tempo doce.
O duo deixa marcas profundas por onde passa. Como no úiltimo Treasure Island Musical Festival, realizado no mês de outubro em São Francisco, onde seu show chamou a atenção dos críticos mesmo se apresentando entre figurinhas já mais rodadas como XX, Gossip e Toro Y Moi. Esse negócio de impressionar o mundo talvez seja algo de especial que a água de Chicago contém e mexe com o povo de lá…
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