26.8.12

Bem na fita, choque!



Apelido de criança e som de gente grande. O músico, compositor e cantor Luciano Nakata, o Curumin, já não é mais novidade. Após os excelentes “Achados e Perdidos” (2003) e Japan Pop Show (2008), Curumin mixou as referências até então trilhadas entre o samba rock, o cavaquinho e o dub, e inclinou-se para o beat apoiado em bases eletrônicas. Assim, “na pressão”, lançou um dos discos mais bacanas de 2012, “Arrocha”.

Baterista de nomes como Arnaldo Antunes e Vanessa da Matta, Curumin entende de suingue, sendo uma espécie de sucessor de Jorge Ben só que bem mais pesado. E assim, abre o disco, com “Afoxoque”, como o nome sugere, uma mistura de afoxé com uma base de guitarras distorcidas. Pra aliviar um pouco, segue com uma crônica do cotidiano em “Selvage”. As faixas do disco são curtas e objetivas, em composições melódicas e assobiáveis. Como a jovem guardista “Passarinho” de composição do baiano MC Russo Passapusso, integrante do Baiana System, banda que relê a história musical da “triste” Bahia.

“Vestido de Prata”, composição de Paulinho Boca de Cantor (Novos Baianos), tem a sutil participação da paulista Céu na atmosfera vocal. “Doce” é um quase dancehall bem sexy, faixa das mais bacanas do disco. Na sequência, Curumin mostra o porque de “Arrocha” ser tão diferente dos seus discos anteriores. Com produção caseira (o disco foi gravado inteiramente em casa), as bases eletrônicas foram a moeda de troca para fazer um disco mais relaxado e sem as tensões de “horas pagas” de um estúdio. E as três faixas curtíssimas e em sequência, “BlimBlim”, “Sapo Cururu” e “Acorda”, são o melhor resultado desta produção com arranhados lo-fi.

Para finalizar o disco, que contou também com participações de Marcelo Jeneci, Guizado, Edy Trombone e Ricardo Hertz, Curumin se despede na melancólica “Pra Nunca Mais” e escancara positivamente os caminhos à frente com a frase “os caminhos estão abertos, o céu passou lá fora, é hora, simbora” na última faixa “Bambora!”. Acima, um dos teasers lançados na rede que dão bem o clima que permeou os dias de gravação de “Arrocha”.

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